Sobre The Get Down

Algumas semanas atrás o Netflix disponibilizou mais um seriado de produção própria. Dessa vez, o projeto é liderado por Bar Luhrmann, famoso diretor de Moulin Rouge e Romeo + Juliet. Infelizmente não conheço muito o trabalho dele, mas vi Romeo + Juliet no cinema alguns anos atrás e achei muito interessante.

A temática de The Get Down é a música funk na comunidade negra e latina do Bronx, NYC, durante os anos 70. Isso sinceramente tinha me deixado bem empolgado e felizmente não fui decepcionado.


As obras de Luhrmann são “bagunçadas.” Muita coisa acontecendo o tempo inteiro. E as implicações não são nada sutis. Por exemplo, em uma cena perto de um episódio final, temos três cenas ao mesmo tempo sobre poder. Um personagem seduzindo outro com poder. E nessa parte, a palavra “poder” se repete várias vezes, deixando claríssimo qual é o tema do episódio, qual é o conflito dos protagonistas no momento. Isso, quando feito em mau gosto, chega a ser ofensivo para o expectador, pois irrita muito e implica que não sabemos interpretar ou ver uma obra de ficção.

Mas em The Get Down tem tantas coisas a mais acontecendo que isso não me importou. O conjunto da obra se destaca.


Por ser uma série focada em música, em quase todas as cenas temos algo tocando no fundo. Algumas duram cinco, dez, segundos. De novo, normalmente isso irrita, parece falta de foco, mas não é preocupante. Algumas músicas repetem durante vários episódios, mas por se tratar de funk, disco, hip-hop — e isso é um gosto pessoal — eu gostei bastante e não me incomodou nem um pouco.

Exemplo de uma música ótima que toca com frequência.


Outro ponto positivo de The Get Down é a quantidade de protagonistas ou grupos cuja narrativa segue. Principais mesmo temos dois, Zeke e Mylene, que acabam virando um casal rapidamente. Ambos são ótimos. Ele, escritor adolescente focado em rap, e ela, uma jovem cantora latina.

Cada um tem um grupo de amigos, que não são trabalhados tão bem quanto poderiam, mas que ajudam bastante no charme da série e para motivar os protagonistas. E, claro, também temos pais, professores, tios, mentores (incluindo Grandmaster Flash!).


Com apenas oito episódios, a primeira temporada de The Get Down é algo novo e diferente, feita por quem aprecia e entende muito bem de audiovisual. Ótima trilha sonora, personagens divertidos, e uma história bacana te esperam.

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