SOEM A TROMBETA PELOS NASCITUROS

Em meio a toda a polêmica sobre a decisão do STF que aborto realizado até os 3 primeiros meses não é crime, algumas reações não me espantaram, eram de se esperar; mas outras tiraram-me a paz.

Decidi escrever uma publicação destinada aos cristãos, principalmente às lideranças. Porém o formato do Facebook não me agradava. Criei uma conta nesta plataforma para facilitar todo o trabalho e dar os devidos créditos aos textos que reuni.

Vamos lá. Devo começar explicando o motivo que me levou a redigir um texto voltado para os cristãos. É simples. A defesa da dignidade da vida não é algo estritamente relacionada aos religiosos, por ser uma questão ético-moral, ela não se fundamente na Religião em si, mas é dever de qualquer cristão defender o nascituro e lutar para que todos tenham o direito a vida.

Acredito que os líderes cristãos deveriam estar dispostos a colocar o próprio pescoço e o ministério em risco quando se trata deste assunto. Fico pasma com a quantidade de pastores, padres que são omissos quando confrontados sobre este tema. Muitos tratam o desmembramento de seres humanos em gestação como uma questão de partidarismo político. Outros adotaram a incrível noção que podem ser pessoalmente a favor da vida, mas publicamente se mostram a favor da escolha pessoal ou não expressam nenhuma opinião. Precisamos de lideranças que não sejam como Pilatos.

Para discorrer sobre o assunto, eu separei entre dados coletados e aprofundamento sobre o aborto e posteriormente sobre o que a Bíblia nos ensina.

  1. Em Minnesota, sabe-se que que a lei contra o homicídio fetal condena as pessoas por homicídio culposo ou pior, caso a vida do bebê seja extinta no útero da mãe. Existe uma exceção para o caso do aborto. O que isso significa? Significa que se a mãe optar pela morte da criança, isso é legal. Se não for essa a escolha, então, o ato passa a ser ilegal. Nada na essência do nascituro determina o direito à vida. Apenas a vontade da mãe. Essa é a essência do totalitarismo: a vontade do mais forte prevalece sobre o direito do mais fraco.
  2. Quem argumenta que a “viabilidade fetal” é o determinante do direito de proteção dos bebês sabe que a vida do feto sem o cordão umbilical não é o critério para definir sua personalização ou condição ao direito à vida. Todos reconhecem isso, pois viver com a ajuda de um respirador artificial ou de um aparelho de diálise não compromete nossa individualidade. A fonte de alimento e oxigênio não determina a condição de pessoa.
  3. Todos sabem que o tamanho de um ser humano é irrelevante diante da personalização. E sabem disso porque ninguém é capaz de tornar a vida do recém-nascido com um mês vulnerável ao assassinato, ainda que a criança seja bem menor que a outra de cinco anos de idade. Porém, é comum agirem como se a pequenez do embrião fosse fator decisivo para torná-lo menos humano.
  4. Sabe-se que o poder de raciocínio desenvolvido não é critério para determinar a condição de pessoa. E sabem disso pois o bebê nascido há um mês também não possui essa capacidade; e, mesmo assim, sua vida não está comprometida por causa disso… exceto para alguns que advogam pela eutanásia para bebês com doenças.
  5. Todos sabem que somos comprovadamente seres humanos desde o momento da concepção. Não há a mínima possibilidade de nascer um elefante, uma girafa ou uma ameba da união de um homem e uma mulher.
  6. Bastam oito semanas para que todos os órgãos estejam formados; o cérebro funciona, o coração bate, o fígado produz células sanguíneas, os rins purificam os fluidos. Até as impressões digitais já estão formadas.
  7. Por fim, o aborto não é um procedimento fácil. Há diversas pesquisas que mostram como o lema “meu corpo, minhas regras” tem trazido danos psicológicos e emocionais gritantes. Recomendo a leitura deste texto: http://acaoavante.blogspot.com.br/2016/12/meu-corpo-suas-regras-realidade-dos.html

Sabendo de tais informações, parto agora para a questão bíblica:

  • A destruição da vida concebida — embriônica, fetal ou viável — é agressão a uma pessoa singular — um ser formado pela obra de Deus.
“Pois possuíste os meus rins; cobriste-me no ventre de minha mãe.” (Salmos 139.13)
  • Abortar seres humanos ainda em gestação evoca a interdição bíblica comumente repetida contra o “derramamento de sangue inocente”.
“ Assim diz o Senhor: Exercei o juízo e a justiça, e livrai o espoliado da mão do opressor; e não oprimais ao estrangeiro, nem ao órfão, nem à viúva; não façais violência, nem derrameis sangue inocente neste lugar.” (Jeremias 22.3)

Com certeza, o sangue do nascituro é tão inocente quanto o que flui de qualquer outra pessoa no mundo.

  • Com frequência, a Bíblia se pronuncia a respeito da alta prioridade que Deus dá aos membros mais fracos, impotentes e vitimados.
  • Ao julgar que a sobrevivência de um ser humano muito difícil, ou mesmo trágica, seja o mal maior que tirar a vida, os partidários do aborto contradizem o amplo ensino bíblico de que Deus manifesta seu poder gracioso por meio do sofrimento de pessoas, e não apenas ao ajudá-las a evitar a dor. Isso não significa que devemos procurar o sofrimento, mas sim que são formas do Criador trabalhar com cada pessoa.
  • Justificar o aborto confortando-se com a ideia de que essas crianças irão para o céu ou até mesmo que receberão a vida adulta na ressurreição é mera presunção. E isso é um pecado. É maligno justificar a morte com a felicidade futura na eternidade para quem foi privado da vida. A mesma justificativa poderia ser usada para legitimar a morte de crianças com um ano de idade ou de todo aquele que crê no céu.
  • A Bíblia ordena: “Liberte os que estão sendo levados para a morte; socorra os que caminham trêmulos para a matança! Mesmo que você diga: “Não sabíamos o que estava acontecendo!” Não o perceberia aquele que pesa os corações? Não o saberia aquele que preserva a sua vida? Não retribuirá ele a cada um segundo o seu procedimento?” (Provérbios 24.11,12). 
    Inexiste razão científica, médica, social, moral ou religiosa para colocar o ser em gestação na categoria que este texto não lhe aplica. A realização do aborto de crianças em gestação é um ato de desobediência a esta ordenança.
  • Abortar o feto invoca a admoestação de Jesus sobre quem rechaçava as crianças como se fossem inconvenientes ou indignas da atenção do Salvador.
E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles. Pegando-a nos braços, disse-lhes: “Quem recebe uma destas crianças em meu nome, está me recebendo; e quem me recebe, não está apenas me recebendo, mas também àquele que me enviou”. (Marcos 9.36,37)
  • É direito de Deus, o Criador , dar e tomar a vida humana. Não existe direito individual para que se tome esta decisão.

Posto tais coisas, o que podemos fazer para despertar a comunidade cristã?
Em primeiro lugar, devemos nos submeter a Deus e viver pelo poder da Sua graça. Devemos orar fervorosamente para que os líderes analisem a sua postura perante a Igreja. Estamos vivendo um evangelho de omissão ou de confrontamento? Toda a mudança de uma igreja começa por aqueles que se colocam a frente para servir com integridade.

Devemos encarar o aborto como ele realmente é, não com letargias sociais que tomaram a mente totalitária nazista. Use a imaginação para ver o que acontece por trás das clínicas de esterilização. Crianças não serão salvas e a obra de Deus não será reverenciada sem alguma medida tomada pela imaginação solidária.

Mesmo que você diga: “Não sabíamos o que estava acontecendo!” Não o perceberia aquele que pesa os corações? Não o saberia aquele que preserva a sua vida? Não retribuirá ele a cada um segundo o seu procedimento? (Provérbios 24.12)

Apoie as alternativas ao aborto com sua ajuda financeira, tempo e orações. Procure instituições que amparem as mulheres grávidas em sua região, ou crie um ministério que defenda a vida e dê todo o suporte psicológico, emocional e espiritual que essas mães precisam para levar a gravidez adiante. Também incentive a adoção de crianças, cuide e proteja os pequenos que estão em abrigos, a realizar uma ação contínua com as crianças que estão ao seu alcance.

Não exclua de sua igreja mulheres que abortaram. Adote um chamado “venha como você está” para a sua Igreja. Interceda por essas mulheres e deixe que o Espírito Santo cure as feridas e plante o arrependimento genuíno.
De igual modo, não reprima e não discrimine mulheres que foram mães na sua adolescência ou juventude. Recolha o dedo julgador e ofereça o amor que vem de Cristo. Não se esqueça que Ele esteve com os mais pecadores, pois veio para salvá-los, não para julgá-los.

Divulgue na Igreja sobre a importância da defesa dos nascituros. Este assunto não é somente para um dia do ano em alguma aula de estudo bíblico. Precisa-se falar sobre o mal que tem se espalhado pelo mundo todo e tem ceifado a vida de milhões de crianças por ano. Mobilize os seus irmãos na fé para que se construa uma igreja que não fique só no campo especulativo, mas sim que faça a sua parte.

Por fim, utilize dos seus privilégios democráticos de liberdade de expressão, representação e demonstração para pressionar a favor da existência da proteção legal para crianças em gestação e contra o aborto em qualquer instância da vida intrauterina.

Você colocará a trombeta em seus lábios ou permanecerá em silêncio?

Divulgação: Matria — http://matriamulheres.blogspot.com.br/

O texto foi baseado no livro “Irmãos, nós não somos profissionais” de John Piper, pastor na Bethlehem Baptist Church, com ponderações minhas sobre o assunto.