depois da quarta capa

era julho quando ganhou forma algo que iria bem além de mim.
um livro de formato de bolso, charmoso com seus desenhos — escolhidos de forma única, pra encaixar — , de mais de 100 páginas amareladas.
foram 45 dias de um julho que demoraram tanto que passou pra agosto e a previsão era outubro.

quando outubro chegou, chegaram as cobranças.
de onde tá meu livro, qual é o brinde — mas a verdade que ninguém sabia era que nem mesmo eu sabia qual era.
uma tarde de saara com sol e quadros pesando, a pressão caiu e eu gastei com uber o que eu não tinha pra dar vida a um projeto.
um projeto feito pela mão de um libriano, que por causa da indecisão e da insegurança não estava com os textos prontos e que, enquanto escrevia o e-mail enviando tudo pra revisora, ainda pensava em desistir daquilo e devolver o dinheiro.

ainda era outubro quando chegaram as provas.
foram umaduastrêsquatro, acho que chegamos a sete.
eu voltava com consertos bobos pra fazer aquilo sair do jeito que eu imaginava, queria e me faria bem.
perto do fim de outubro mandamos pra gráfica, que respondeu com uma prova montada do que seria multiplicado 250x. 
eu chorei de surpresa, de emoção, de ver o meu nome na capa de um livro, de saber que eu tinha conseguido.

enquanto as caixas não chegavam e novembro começava a se desenrolar, começamos a preparar os quadros que por fim descobri serem o meu brinde.
palavras minhas, arte de clarice, escrita de débora e toda a admiração, minha.
com agenda que não bate e a vida que nos batia, atrasamos pra sair tudo perfeito.
no meio do processo, chegaram as caixas.
clarice quando viu, deitou em cima e chorou de felicidade.

a promessa de um lançamento em dezembro me cobrou.
era dia 2 e eu não conseguia resposta prum lugar no dia 10.
precisava de autorização, de documento, de burocracia.
dia 8 tava confirmado, com o evento criado desde o dia 4.
dia 10 chegou e eu amontoei umas 40 pessoas numa sala de um museu de arte popular — quer algo mais minha cara?
fui amado. amei. assinei. falei umas palavras que, sinceramente, não consigo sequer lembrar pra repetir.
escrevi num quadro um texto novo.
lancei. num evento que tinha que acabar 18:30h e que durou 1h além.

final de dezembro apertou. as embalagens entulharam meu quarto e os quarta capas foram pro mundo.
começou por niterói, caminhou pelo rio de janeiro e depois foi pé na estrada.
fomos descobrir amor em são paulo, minas gerais, curitiba, paraná, porto alegre, paraíba, pernambuco, bahia, são luís do maranhão, goiás, florianópolis e chegou a passar frio na carolina do norte.
tudo isso pra ser recebido por braços e abraços que eu sinto saudades ou que eu sequer conhecia ou imaginei que sentiria, mas senti.
senti nas palavras doces escritas em retorno às minhas.

e então começaram a me perguntar o que vem depois do quarta capa.
se vai ser a quinta capa.
e mandaram eu escrever o próximo.
e eu virei epígrafe de monografia.
e eu chorei, a cada novo feedback.
e me deram amor daqueles que quebra barreiras.
barreira de rir do que já te machucou e está num livro, eternizado, pra você nunca mais sofrer e sempre lembrar que passou por aquilo.
barreira do medo. medo de não estar bom o suficiente, de não valer a pena, de ser “só isso?”. até descobrir que não existe suficiente, que valor é relativo e que “só isso” pode significar muita coisa.

não vai vir a quinta capa, mas virão outras partes de mim jogadas em folhas amarelas com fontes bonitas diagramadas de forma especial, formando algo totalmente único e que só sai de mim depois que eu enrolar sendo libriano e querendo que seja perfeito.

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