Eu, você e o futuro abundante

Como será o futuro? Não sei.
Mas os futuristas andam por aí desenhando cenários possíveis.
Poucos falam de mim ou de você como indivíduos únicos.
Muitos falam e falam da evolução do poder de processamento computacional, das maravilhas da inteligência artificial, da produtividade da automação, do número assombroso de dispositivos eletrônicos conectados pelo mundo. Das oportunidades de mercado. Discorrem sobre o futuro do trabalho e as características de liderança e gestão necessárias para esse novo tempo. Alguns até ousam dizer que a educação atual tem problemas, com suas instituições de ensino seculares.
Eu não sei como será o futuro.
Mas sei que a revolução digital começou faz tempo. Facilitando uma simples troca de mensagens. Oferecendo uma musiquinha. Organizando e publicando conteúdo. Possibilitando transações de valor sem a intermediação de instituições financeiras.
Tudo isto em abundância, muita abundância.
Mas como aproveito tanta abundância, se vivo em um mundo historicamente escasso?
Um mundo que enganosamente me convenceu de que não tem para todo mundo. Que me ensinou que eu preciso ser melhor do que o outro. Que eu preciso acumular. Que eu devo consumir. Que insiste em lembrar que minha única chance é competir. Fui ensinado a trabalhar para não colocar tudo isto em risco. Fui convencido a sufocar meus próprios desejos e talentos.
Fui ensinado a não ser eu.
Deixei de ver o que acontece ao meu redor.
Deixei de ser livre.
Mas resisto. Sigo aos poucos aprendendo que, com tanta abundância, é essencial olhar para dentro de mim, compreender e aceitar quem sou. Fazer minhas escolhas. Afinal eu não sou você. Sou único.
Quero exercitar minha liberdade. Só assim, estarei apto para experienciar um novo mundo de possibilidades.
Eu não sei como será o futuro. Mas arrisco afirmar que ele não será definido pela tecnologia ou por algum grupo de empresas ou instituições.
Eu e você somos mais importante do que tudo isto.
Se alguma tecnologia emerge é porque a sociedade ofereceu um terreno fértil para tal. A tecnologia deve servir a sociedade, e não alimentar famintas organizações em busca de crescimento exponencial e lucros exorbitantes.
Percebi que o passado passou e o futuro nunca chegará. Não vou buscar fora, aquilo que está dentro. Vou apenas tentar aceitar o presente do presente.
Sendo livre.
Sem esquecer de agradecer o papel fundamental que você e a tecnologia tem neste universo abundante.
Grato!
“O que pensávamos ser o futuro está em débito conosco. Para superar a crise, temos de ‘voltar ao passado’, a um modo de vida imprudentemente abandonado” — Zygmunt Bauman
