O brincar e atividades de lazer — O papel do Placemaking

Conexão Cultural São Paulo — Praia de Paulista — FotoLeticia Godoy

Ao envolver as comunidade em atividades de lazer agradáveis nos espaços públicos próximos a suas casas/trabalhos, tornando estes divertidos e acolhedores, conseguimos oferecer múltiplas oportunidades para incentivar a atividade física e recreativa para pessoas de todas as idades, origens e habilidades. Parques, praças, e até mesmo ruas oferecem possibilidades para adicionar equipamentos de lazer ativos permanentes ou temporários e programação que pode facilitar atividades como jogos com bola, dança e brincadeiras infantis. Pesquisas mostram que uma combinação de atributos físicos e fatores sociais podem encorajar o uso do parque/praça especialmente em bairros de baixa renda. Um estudo de 2010 comparando os níveis de uso do parque e caminhadas recreativas em bairros mais pobres e mais ricos, determinou que aqueles que vivem em bairros mais pobres relataram níveis mais baixos de segurança, manutenção e atratividade do parque, além de menos oportunidades de socialização. Por sua vez, eles visitavam os parques locais com menos frequência e caminhavam menos para recreação.*

Um princípio fundamental do Placemaking é envolver uma comunidade para determinar o que eles querem fazer em um espaço público, de modo que seu projeto, amenidades e recursos acomodem atividades que atendam às necessidades locais específicas. Trabalhando em colaboração, seu objetivo é criar locais multi-uso com atividades que atendam a todos os tipos de usuários. Enquanto um único playground só pode facilitar a atividade para as crianças pequenas, por exemplo, um grande lugar tem atividades e amenidades que atraem uma diversidade de visitantes. Um relatório de 2008 do Trust for Public Land enfatiza a importância de projetar parques como destinos multi-uso que promovem saúde e bem-estar: “A maioria dos parques simplesmente não oferecem opções e oportunidades suficientes para a atividade. Ao invés de ser como antiquários, lotados e com descobertas inesperadas e múltiplas escolhas, muitos são mais como lojas de conveniência, com um número pequeno e previsível mercadorias.

Em uma pesquisa com idosos na Inglaterra, apontam que árvores, plantas, a presença de crianças brincando e oportunidades de socializar, aumentaram os níveis de caminhada recreativa dos participantes, enquanto a presença de perturbações como os jovens percebidos como vagabundagem e perda de cães resultou em menos caminhada. Estudos também mostraram que, percepção de segurança em espaços públicos, a distância aos espaços públicos de vizinhança correlaciona-se com a satisfação com a vida em idosos.

Conexão Cultural São Paulo — Praia de Paulista — Foto Cinthia Bueno

Um estudo recente em Ghent, na Bélgica, analisou os efeitos de um programa municipal gratuito que fechou as ruas do bairro para que as crianças de idade escolar que viviam nessas ruas pudessem brincar lá fora, durante as tardes de férias de verão. Pessoas que vivem na rua, criaram voluntariamente essas ruas de brincar, e a cidade distribui caixas de itens como balões, bandeiras, giz e bolas para incentivar o jogo livre. Os pesquisadores mediram o impacto dessa oportunidade de brincar ao ar livre no tempo gasto em atividade física moderada a vigorosa versus sedentarismo e os resultados indicaram que as crianças que brincam nas ruas designadas aumentaram sua atividade física moderada a vigorosa por nove minutos por dia (Enquanto que a de crianças comparáveis ​​não envolvidas diminuiu em três minutos).

Conexão Cultural São Paulo — Praia de Paulista — Foto Cinthia Bueno

O que poderia ajudar a fortalecer o impacto do Placemaking nas atividades recreativas e físicas em espaços públicos?

-> Examinando o impacto de co-ações que já existem no bairro e realizar nos espaços públicos para diferentes faixas etárias

-> Avaliar o impacto de co-ações de instalações educacionais, mercados locais, centros de saúde e serviços sociais para a realização também em espaços públicos

-> Além disso, é importante que se promova a programação da atividades física nos espaços públicos, em especial no que diz respeito à atração das pessoas mais necessitadas de atividade física e à melhoria da saúde

A pesquisa resumida abaixo fornece orientação sobre como projetar espaços públicos e outras facilidades de recreação ativa que irão envolver e incentivar o uso para uma ampla variedade de grupos demográficos, incluindo os moradores de bairros onde as disparidades de saúde são mais prováveis. As ações recomendadas incluem:

-> Envolver os residentes no planejamento e na criação de parques e outros locais de recreação ativos e em fazer melhorias para tornar esses espaços mais verdes, mais seguros, mais limpos, mais acessíveis e favoráveis ​​à interação social.

-> Estabelecer parcerias com grupos comunitários e envolver os residentes locais para fornecer ideias e feedback sobre melhorias e programas para parques locais e espaços públicos de recreação ativa

-> Buscar oportunidades para aumentar o número, tamanho, segurança e qualidade dos espaços públicos de recreação ativa, a curta distância de onde as pessoas vivem

-> Avaliar as oportunidades para adicionar amenidades, equipamentos e / ou programação recreativa em caráter permanente ou temporária em propriedades existentes (praças em frente a prédios, estacionamentos, lotes não-desenvolvidos, ruas adjacentes, etc.)

-> Patrocinar ou organizar eventos como Ruas de Lazer ou Ruas Abertas

-> Fazer o marketing da programação das atividades físicas e dos espaços públicos de lazer usando linguagem, imagens e métodos que atraem públicos diversos, incluindo os mais afetados por disparidades de saúde/ bem estar

-> Melhora o acesso a pé, de bicicleta e de transporte público e conexões com parques comunitários locais, parques infantis, programação de atividades físicas e espaços públicos de recreação ativa

-> Encontrar novas formas de promover a socialização e a interação nos espaços públicos recreativos ativos, através de estratégias como dias de limpeza, eventos especiais, equipamentos ou jogos interativos e a co-ação de equipamentos para várias idades e interesses ( exemplo Sesc no Parque, UBS Móvel no Parque, Academia do Parque…)

Este texto foi adaptado e traduzido do Estudo de Caso Healthy Places elaborado pela Project for Public Spaces (PPS).

* 1 Leslie, E., Cerin, E., & Kremer, P. (2010). Perceived neighborhood environment and park use as mediators of the e ect of area socio-economic status on walking behaviors. Journal of Physical Activity & Health, 7(6), 802–810.