Dados de fevereiro confirmam cenário de incerteza

Fevereiro se revelou um mês de incerteza para investimentos e pessimismo entre os brasileiros. Uma pesquisa do Ibope realizada ainda no início do segundo mês do ano mostra que 46% da população está se preparando para uma piora na economia para os próximos meses. Esse percentual no mesmo período de 2015 era de 32%.

Essa percepção reflete os números negativos do mercado de trabalho. O primeiro mês de 2016 registrou alta de 7,6% na taxa de desemprego, maior índice para o mês desde 2009. E nem a Páscoa será suficiente para reverter esse cenário. A Federação Nacional dos Sindicatos de Empresas de Recursos Humanos, Trabalho Temporário e Terceirizado (Fenaserhtt) indicou que a retração nas vagas temporárias para o período foi de 35%.

Os números refletem um cenário já visto em 2015, quando o número de vagas de emprego na indústria caiu 6,2% (a maior queda da história) e 2,3% no setor de serviços. O setor agropecuário, por outro lado, teve melhor desempenho no ano passado, aumentando o número de vagas em 0,5%.

Efeitos do clima

O agronegócio só não cresceu mais em função de fenômenos climáticos. A força do El Niño no Sul do País, afetou em mais 10% a safra de arroz cuja colheita iniciou em fevereiro. As maçãs catarinenses, que representam 49% da safra nacional, também apresentaram queda de 10%. Isso resulta no aumento do preço da fruta a fim de compensar a perda do produtor.

Busca por crédito em queda

Dados divulgados pela Boa Vista SCPC mostram que em janeiro a busca do consumidor por crédito caiu mais de 9% em relação ao mesmo período de 2015. Em 12 meses, a procura por financiamentos acumula baixa de 6,7%.

Já a Confederação Nacional do Comércio (CNC) indicou que, de cada dez famílias brasileiras, seis têm algum tipo de dívida. Esse percentual supera a taxa registrada em fevereiro de 2015, quando o número ficou em 57,8%.

A recessão atingiu também os gastos dos brasileiros no exterior. Em janeiro, tradicional mês de férias escolares, quando as despesas aumentam, os gastos lá fora somaram US$ 840 milhões, uma queda de 62% frente ao mesmo período de 2015 (US$ 2,23 bilhões). Segundo dados do Banco Central, entre 2010 e 2014 os gastos de brasileiros no exterior vinham subindo continuamente até o ano passado, quando houve uma queda de 32% em função da alta de quase 50% no dólar.

Outro número de 2015 anunciado em fevereiro foi o de empresas criadas: 1.963.952, de acordo com a Serasa Experian. O número representa aumento de 5,3% comparado com os novos empreendimentos registrados em 2014 (1.865.183).

“PIB” da Serasa

O Brasil também registrou uma das piores recessões do “PIB” da Serasa, divulgado em 16 de fevereiro pelo Serasa Experian. O recuo da economia de 3,8% em 2015, é o pior resultado desde a queda de 4,35% de 1990. De acordo com os economistas do órgão responsável pela pesquisa, a recessão econômica se dá pelo aumento das taxas de juros, da inflação e do desemprego — fatores que aumentam a inadimplência.


Originally published at www.plugar.com.br on March 2, 2016.