Hobbes e a liberdade na internet
Pedro Vieweger
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Lendo seu texto, penso que é possível afirmar que somos incompetentes para a auto-regulação, precisando sempre de um "pai" que nos diga o que fazer e o que não fazer. Creio que isso seria bem válido no Século XVII, mas agora? Será? Será que mais de duas décadas de ditadura não nos ensinaram o que um Estado é capaz de fazer? Será que a Segunda Guerra não ensinou? Será que países e sociedades que hoje possuem menos Estado e funcionam melhor não nos ajuda a entender que não é o Estado que resolve, mas nós.

Eu não vejo e tampouco tenho nenhum problema com pessoas que "mudam a cara" na Internet e fora dela pois não fazem parte de meu círculo de convívio. Pessoas assim certamente agem dessa forma não somente na rede, mas na vida; traem suas esposas/maridos/filhos, cometem pequenos/grandes delitos, acreditam que são parte de uma casta superior e assim por diante. O racista não é racista na web e deixa de ser na vida. O racista é racista na web e fora dela. Ou você xingaria um negro na web e não o faria na rua? Será que não estamos tentando criar perfis diferentes de alguém que possui enraizado em seu ser, o problema?

Ademais, a quem a "mudança de cara" é ruim? Para mim pouco importa se a pessoa é "bicho feroz" na web e "anda rebolando e até muda de voz" na rua. São pessoas que pouco me agregam e acredite, ex-amigos meus que tinha grande respeito, deixe-os na estrada da vida por este específico motivo. Em compensação, encontrei outros que, como eu, são transparentes onde quer que seja.

A web não é uma terra sem lei, ao contrário que a maioria acredita. Existem leis no "mundo real" que limitam o que é feito no mundo virtual. Prova disso são diversos processos abertos por diferentes pessoas sobre casos de racismo, xenofobia, precoceito e assim por diante. Alguns até advogam que no mundo virtual é mais fácil ter acesso a drogas, a pedofilia, a armas. Estes pouco sabem que basta andar em ruas de suburbios de cidades espalhadas em todo o mundo que o cenário é idêntico. Se crime tem a Internet, é aquele de mostrar a realidade nua e crua do que é nossa sociedade. Ela não traz nada novo, sendo somente um espelho daquilo que realmente somos.

Finalmente, aproveitando que citou Hobbes, eu desejo ser feliz, você também deseja ser feliz (creio) e nem por isso somos inimigos. Esse é um dos motivos pelo qual uma obra de 1600 e pouco não interfere em minha vida em 2017.

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