Ansiedades

— Por mais que pipoquem textos de pessoas dizendo como foi ter superado a ansiedade, eu não consigo acreditar que um dia isso realmente se vai. Que sem delongas, vou acordar e tudo vai estar calmo, que vou ter saído de uma noite de sono perfeita. Que minha cabeça não vai, ao abrir os olhos, projetar mil e uma formas de viver o dia, ou imaginar o que vai acontecer, quem ou o que irei evitar, que não vou ensaiar falas, repetir ações incansavelmente na minha cabeça até sair como esperado. Não vou remoer por longas horas aquilo que não saiu como deveria, como naqueles ensaios, menos ainda irei desejar voltar aquele momento e, agora que sei como aconteceu, fazer o que deveria ter sido feito. Não consigo imaginar que, ao fim do dia, é mesmo possível recostar no travesseiro e simplesmente não ter um turbilhão de pensamentos e imagens caindo na minha cara, porque não importa o quanto de sono que sinto, o quanto de cansaço físico e mental tenho, eu vou ter uma mente inquieta por longas horas, até que por fim, o cansaço vença e eu durma. E por dormir: eu digo sobre ter uma noite de descanso perfeita, sem aqueles sonhos em que tem alguém me perseguindo ou que estou sendo puxada por água abaixo. Meu coração não vai querer saltar do meu peito, não vai me faltar o ar. Não sentirei angustia no decorrer do dia. Quando tiver barulho de muitas pessoas conversando, minha cabeça não pulará para outro plano, e acabarei em uma crise de panico no minuto seguinte. E por fim, nada irá me oprimir. Me fazer reprimir. Não sei viver sem os limites que tenho, ou que me imponho.
Meu corpo aos poucos se deteriora. Isso me angustia mais.
Ao mesmo tempo que não me vejo sem ansiedade, eu não quero mais estar com ela. Como escapar? Não faço um pingo de ideia, isto é, se quero de fato sair, e meu subconsciente sabendo disso, aproveita para me torturar mais e mais. 
Por fim, espero que não demore, seja o que for acontecer.