Notas perdidas

“Todo dia a gente quer morrer, mas não significa que não vá correr de alguém que nos persegue com uma faca na mão.”

Há um tempo atrás essa frase planava em meus pensamentos. Confesso que a princípio achava que eu tinha lido em um tweet e favoritado. Fui procurá-la. Nada. Fiz busca dos fragmentos que memorizei. Sem resultado. Realmente não lembro se li ou se sonhei. Sei que a reescrevo de forma desfragmentada. 
 Nesse setembro amarelo que passou, onde várias mídias publicavam artigos sobre o suicídio, eu li em um blog que não me recordo agora qual, a resenha de um livro sobre o tema, e, resumindo, o suicídio em que planejamos deixar uma carta e cessar nossa vida com veneno, corte, asfixia, ou o que seja, não é o único meio de nos matar. As vezes, com a licença para usar as minhas palavras, a gente tenta se matar indiretamente, atravessando a rua sem olhar sinal, de forma inconsciente mas bem no fundo consciente, correndo o risco de um carro nos pegar, mas sem ter a culpa de ter causado aquilo propositalmente. Afinal, estava desligada demais para notar o que fazia. Depois disso, dei conta que em diversos momentos fiz isso e fiquei um pouco arrepiada, afinal eu não só andei pensando em suicídio como a saída dos meus problemas, eu já executava tentativas frustradas. Reportei a minha psicóloga isso, claro. 
 O ponto é: Quem disse isso não mentiu. Realmente estamos nesse estado de fadiga de vida, mesmo sendo jovens. Perdemos a projeção de futuro. Estamos cansados e frustrados, e preferimos desistir. Prefiro desistir. Essa carga já virou sobrecarga, e mais uma vez, não sei consigo carrega-la por mais algum tempo. 
 Segue o jogo, repito pra mim. E vamos ver onde chego. Até onde vou, e se vou mesmo.