Contato, risos e proximidade.

O que está acontecendo? Será que é agora? Não foi. De mim falou, menosprezou, se afastou. Nunca disse nada. Meu olhar transcende o óbvio, está carregado de significados. Na verdade, nunca precisei dizer nada, eu só olho no fundo dos seus olhos e sei que você sabe.

Ah, você sabe…

Voltou. Parece que é agora. Mas, há tanta gente ao redor. Não quero espectadores. Porém quero que aconteça. É egoísmo querer esse momento só pra gente? Surpresa. Não é agora. Será algum dia? Decoro os seus movimentos, mas não os entendo. És um enigma. É como se você fosse um livro em aramaico, e bom, eu não sei ler aramaico ainda. É para avançar ou recuar de vez? Deixo como está? És minha primeira experiência do famigerado “deixar acontecer naturalmente”. Não consigo te decifrar.

Acaba por não saber dizer que não quer, mas também não responde dizendo que sim.

Prende-me nos “e se” que tanto lutei para nunca ser refém. Mas, deixa. És uma sensação que é bom sentir. És mistério. És a materialização da minha saída da zona de conforto. És o meu quebra-cabeça frequente. Fomos embora. Até daqui uma semana. Acabei por desenhar seu rosto em uma folha do meu caderno de rascunhos. Rabisquei algumas frases de um diálogo que provavelmente nunca irá acontecer e sorri. Parece que minha letra desleixada consegue expressar com perfeição tudo isso que está me preenchendo devagarzinho. Me veio na mente você sorrindo, falando animado sobre alguma história sua e isso me fez abrir aquele sorriso que você só percebe que tá sorrindo um tempo depois. Me cubro com meu lençol pra esconder a minha fraqueza e me lembro: não há ninguém aqui. Me perco na minha privacidade e me permito pensar na noite de hoje. Nos detalhes que só eu costumo lembrar. Queria uma aproximação, conversas, saber mais de você. De onde vem, pra onde vai. Não sei como agir. As dúvidas voltam a me perturbar, mas tenho convicção da minha resposta. O que for pra acontecer, acontecerá.

Irei me permitir. Me arrisco.

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