Mattheus França
Nov 7 · 2 min read

Poda•r •ei

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Me levou pra casa alguns minutos depois,
Me presenteou com um espaço bem agradável.
Por semanas me regou de afeto,
Tranquilidade,
Zelo.
Em um mês viu que nenhuma flor tinha aparecido.
Continuou a regar...

Fazendo eu me sentir vivo,
Me regando cada vez mais.
Até que um dia, chegou em casa com um embrulho escondido…
Colocou em outro cômodo,
Para que eu não visse a nova flor,
Perto da janela pra também ter acesso ao sol.
Passou por mim com o regador cheio.
Nenhuma gota foi derramada em mim,
Fingi que nao vi.
Me mantive firme.
Dias de regagem.
Seca fiquei.
Resmungou alto sobre podagem.
Podou a nova,
Esqueceu de mim.
Enfeitou a casa com a primeira flor dada pela outra.
Reclamou que eu não dava flor nenhuma,
Entristeci.
Se lembrou de me regar, reparou algo inusitado em mim,
E Podou.

Não tinha reparado que era minha flor,

A flor que demorei meses pra trazer alegria pra perto de ti,

A flor.
Jogou fora todos os meus dias de trabalho.
Matou em segundos, algo que demorei meses a realizar.
Não só podou a flor, podou a mim.

Podou todo esforço que tive pra poder ser igual as outras.

Grata por ter podado.

Me vi inteira.
Podou.

    Mattheus França

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    deixo aqui tudo aquilo que me sai em letras, palavras, poemas...