Soul Pesada

Existir é um peso que só quem vive de excessos pode sentir.

Eu.Não.Supero.Nada.Nunca.

E isso é apenas o brinde do combo : Myself.

Quem me dera ter o privilégio de carregar apenas o peso do próprio corpo -que já não é tão leve mais-.

By the way, inveja de gente que é essencialmente leve. Inclusive acho elegante quem existe com suavidade.

Aprendi tantas coisas na vida mas nenhuma delas me ajudou ter a alma menos densa e a transitar pelo infinito entre nevar ou ferver.

Não é fácil viver como uma hipérbole ambulante . Trust me. A maior parte do tempo me sinto um efeito colateral do projeto humano.

O distúrbio na força.

Não me espantaria ser diagnosticada com uma espécie de patologia -de nome esquisito , tipo “falhus sensorium” -que amplifica as emoções e faz o indivíduo viver de excessos. Trans-bor-dan-do a existência. Explicaria muita coisa .Como por exemplo, as feridas que nunca cicatrizam, os arrepios que não cessam, os desejos sempre latentes, as memórias movimentando-se em loop infinito, a nostalgia constante, o sentir em ebulição , a não superação dos (des) acontecimentos e a dificuldade de moved on.

Quando escreveu “ não sei o que é viver uma vida equilibrada” em um de seus poemas , Rupi Kaur provou por A + B ser a minha Sense no mundo afinal é exatamente assim que me percebo.

Derramo, brilho, ardo, es-ti-lha-ço.

Não é uma opção.

Sei que estou presa nos (des) acontecimentos da minha vida.

Revivendo emoções que há muito tempo viraram passado, remoendo as dores de encontros que nunca chegaram a acontecer, revisitando sentimentos que já não fazem mais sentido, especulando desejos que não serão realizados, sigo me alimentando de memórias . Todas elas.

Apesar das cicatrizes , estou confortável vivendo de excessos. Existir em profundidade é o faço de melhor. E me espanta cogitar ser diferente pois coexistir com sentimentos esquizofrênicos e mal resolvidos é o meu lance. O meu rastro no mundo.

Se assim não fosse quem eu seria afinal ?

Anyway. Não há lógica alguma na existência.

Só os sentimentos tornam esse absurdo mais suportável .

Sentir é a âncora que mantém a minha sanidade ok nesse mundo. Se me Derramo, brilho, ardo e es-ti-lha-ço é porque ainda há indícios de vida na alma e fôlego pulsando nas artérias.

Ninguém merece ser um cadáver de corpo vivo.

Desejo estar presente quando as luzes acenderem para identificar a poesia onde parece que ela não existe. E poder sorrir de nervoso no instante em que os olhares me capturarem. Quero sentir a pele arrepiar com a possibilidade do toque, sorrir da distração de quem na multidão nem desconfia que é observado, colecionar fotografias de estranhos e conhecer outras almas com o coração, a pele ou a língua.

E ser er sur-pre-en-di-da.

Dormir olhando para as estrelas .

Acordar todo dia em um lugar diferente.

Ser diferente todo dia.

Me entorpecer para não enlouquecer : com álcool, paixão, música ou poesia.

São .Só . Desejos.

Na verdade quem vive de excessos está sempre estilhaçado de amor, angústia e solidão porque além do peso da própria existência carrega o sentimento do mundo nas costas. Gente intensa não se desfaz de nada. Nem das próprias dores. Gente intensa não descansa nunca.

Viver é dilacerante mesmo. E confuso. E muito louco.

Mas quer saber ? O que realmente me apavora não é a morte, nem tão pouco a incerteza do que vem após isso, mas a possibilidade de um dia não conseguir sentir mais nada e ainda assim continuar existindo. So.men.te.