Admirável Mundo Novo — Aldous Huxley

Em um mundo onde não há velhice, tristeza, doença e nem infelicidade. Um mundo perfeito pelas aparências e convenções. Visionária é a palavra chave para esta distopia. “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley pode ser um livro cansativo em seu primeiro capítulo, estamos sendo apresentados a uma sociedade construída a partir de condicionamento clássico, técnicas hipnopédicas, alta tecnologia, reprodução in vitro, etc. Alguns termos podem causar estranhamento, mas a partir do momento em que entendemos como funcionam as sociedades de alfas, betas, gamas, deltas e ípsilons, conseguimos mergulhar de vez nessa obra tão genial.

O livro descreve uma sociedade caracterizada no condicionamento mental e na “felicidade”, mesmo que à base de uma droga chamada soma, o que torna a população tranquila e de fácil manipulação. Desde cedo as crianças eram subordinadas a odiarem livros e flores através de estímulos e tratamentos com choque elétrico, tudo era controlado para que todos se mantivessem em suas funções e em seu devido lugar na sua casta, odiando as demais, e não tendo como se rebelar contra o sistema.

“- Mas eu gosto dos inconvenientes.
- Nós, não. Preferimos fazer as coisas confortavelmente.
- Mas eu não quero conforto. Quero Deus, quero a poesia, quero o perigo
autêntico, quero a liberdade, quero a bondade. Quero o pecado.”

Proibir o amor, casamento e relacionamentos tradicionais. Eu achei até uma atitude sensata, porque as maiorias das pessoas pensam que tem relacionamentos maravilhosos, mas não passam de uma utopia. A ideia que elas acreditam de relacionamento perfeito são ilusórias. Quantas pessoas seguem os moldes da sociedade? Se casam com parceiros para agradar os familiares, religião, ou até mesmo para passarem uma imagem de homem correto, de uma pessoa de respeito, a família na nossa sociedade se transformou em uma instituição hipócrita. Onde há traições e puxadas de tapetes internas, mas nas redes sociais tudo parece estar numa total normalidade.

É óbvio que nem tudo na vida precisa ser levado a ferro e fogo. Mas, achei interessante a maneira livre das relações sexuais, sem cair sobre os ombros da mulher a fama de puta, porque em pleno século 21 ainda não superamos os julgamentos e as depreciações. O personagem do selvagem faz um belíssimo contra ponto com esta ideia, por ele ter um pensamento tão arcaico foi incapaz de se relacionar com a Lenina pelo simples fato dela ser liberal sexualmente e ele não aceitava isso.

“A ditadura perfeita terá a aparência da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão.” Aldous Huxley

O Bernard é uma personagem muito complexa. Eu fico me perguntando se ele era de fato diferente como ele propôs a ser no início do livro. Eu acredito que ele negasse tudo a sua volta, pois não tinha acesso a tudo que sua casta tinha direito (devido á sua forma física ser mais próxima de um beta, e não de um alfa, e consequentemente se sentir inferior aos seus “iguais”). Quando ele leva o selvagem para a civilização, ele vê nisso uma grande oportunidade de ter prestígio diante da sociedade científica. Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

Ouça “Soma”, The Strokes ;) (*Stop…. and go…*) .

*Quem gostou bate palma,
quem não gostou, paciência!