Sobre pedir…

Costumo dizer exultante que DETESTO PEDIR. Costumo dizer que odeio esse lugar comum de quem está precisando de algo de alguém para alcançar o que quer.

Costumo contar que decidi entrar para a carreira pública depois de uma entrevista de emprego para uma multinacional que não fui selecionada. Lembro bem da frustração de ter a minha vida dependendo da vontade de alguém, e lembro de maldizer esse alguém por dias por não ter me escolhido. (Hoje considero esse “não”, fruto de um processo seletivo bem feito. Eu seria engolida se fosse trabalhar nessa empresa, dado o meu perfil sonhadora e o perfil agressivo dela)

Depois dessa entrevista, muito influenciada pela minha mãe que sempre aconselhava a fazer carreira no serviço público, eu decidi que minha aprovação/reprovação em um emprego não dependeria mais de ninguém além de mim mesma. Decidi que não pediria mais emprego a ninguém, seria eu contra mim mesma, demonstrando a minha qualificação através de testes objetivos e não mais cara a cara com alguém.

Entrei no serviço público… e qual não foi a minha surpresa ao perceber que aqui também se pede. Passar é o começo de uma odisseia que envolve ser nomeado, ser chamado, ser alocado em sua atividade… E depois de tudo isso ainda tem a parte da renegociação de salário anual. Todos os anos quem é servidor público precisa (adivinha só?) pedir para ter reajuste salarial, para compensar a inflação. Fora os perrengues normais, de pedir para chegar mais tarde, sair mais cedo, pedir para tirar férias na data que você prefere… pedir, pedir e pedir…

Ainda não tive a oportunidade de empreender, mas já sei que quem empreende também precisa pedir, convencer o seu cliente de consumir o seu produto, ou nada feito.

Veja só, que grande fuga da dependência eu fiz… Só pra perceber (ah essas percepções que os quase 30 trazem) que não existe independência nessa vida, ao contrário, somos todos interdependentes. E vive melhor quem sabe disso, quem tá em paz com isso, quem sabe pedir e ser pedido.

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