a pandemia, eu, planos e angústias

(esse texto é uma resposta a news da as cátia que recebi essa semana. tornei-a um texto público porque sim. porque achei necessário. porque eu precisava disso.)

Poli Lopes
May 24 · 2 min read

pois é, né, olha só… em janeiro eu tava na praia pensando na viagem pro uruguai programada pro meio do ano, listava o que precisaria economizar, programava quando faria a reserva no airbnb… tudo isso ao mesmo tempo que guardava uma grana pra trocar de carro, pesquisava sobre desconto pra MEI…

em fevereiro eu comemorava que tudo tava dando certo, o dinheiro entrando, os trabalhos fluindo, os projetos andando, a empresa contratante do Jerri aumentando as demandas (o que, no caso dele, significa a manutenção do emprego).

e hoje tô aqui. passando raiva com quem pode cumprir o isolamento e não o faz. chorando todo dia quando vejo a curva desachatada. trabalhando 12 (ou mais) horas por dia porque as demandas dos clientes que ficaram quintuplicaram. sabendo que tenho o privilégio de trabalhar de casa, de ir de carro ao mercado, quando preciso; ou seja, me expondo menos a um vírus que não tem cara e de quem eu talvez não conseguisse fugir se vivesse em outro contexto sócio-econômico.

tudo isso ao mesmo tempo que recalculo rotas, revejo planos e, pior, penso se vale a pena fazer planos como fazíamos antigamente (sendo que “antigamente” seria três meses atrás).

sabe o que é pior. a catita mandou a news dia 19 de maio de 2020, ou seja, há cinco dias. e o brasil contabilizava 16.792 mortes. tá no texto. hoje, domingo, acordei com 22.013, saldo do sábado. ou seja, de terça a sábado 5.521 pessoas morreram por covid-19, segundo os dados oficiais. o saldo de terça aumentou 31% em quatro dias. e a gente sabe que ainda não estamos no fundo do poço. falta muito pra chegar lá e isso é desesperador.

e o que eu tenho feito pra enfrentar as emoções, as incertezas e (pior) as certezas como essa que comentei acima? meu kit básico hoje inclui conversar com o Jerri, trabalhar, brincar com o Zãk, fazer terapia, comer (demais), beber (bem policiada pra não exagerar, tá!) e conversar com pessoas que estão observando o mundo e vivendo com a mesma régua que eu. faz bem não me sentir sozinha enquanto vejo uma galera na rua vivendo como se nada estivesse acontecendo e dizendo que eu sou exagerada. obrigada, gurias, pela cia no zap nesses dias complexos, enlouquecedores e tristes.

Poli Lopes

Written by

Produção de Conteúdo ⏺️ Professora de #mktdigital ⏺️ Doutora em Processos e Manifestações Culturais ⏺ Pesquiso SMM e cultura de massa ⏺ + em linktr.ee/polilopes

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