#FestPiauiGnews: ano III

Todo ano onde quer que eu esteja eu sempre tenho estado no #FestPiauiGNews. Adorei fazer a piada “quando eu cheguei aqui era só mato” com os calouros do festival. Teve coisa massa? Teve. Teve coisa chata que eu não tinha visto acontecer no ano anterior? Também. Senta aqui, vamos conversar sobre o festival de 2016.

Gráfico da rede de tuítes publicados em 8/10 e 9/10 com a hashtag #FestPiauiGNews

Pra começar pelo começo, esse ano o festival foi enrolado pra começar a venda de ingressos, pra liberar a programação, teve convidado indo e voltando. Achei isso meio chato, mas é do jogo, né? (Vamos considerar que sim.)

Pra mim o mais esquisito de tudo foi o circo montado pro @jdoriajr. Não era palanque igual rolou pro Ciro Gomes porque o Dória já está eleito. Mas foi ruim. Um tempo que poderia ter sido melhor aproveitado, na minha opinião.

A mesa de abertura já me deixou de gosto amargo na boca. O palestrante Thomas Kirstner, que falou sobre seu livro Fifa Máfia e outras coisas ligadas à cobertura do futebol, lá pelas tantas mandou que o público feminino tinha crescido nos estádios, mas >>as mulheres vão ao estádio para ver os jogadores e pintar o rosto<<. Eu sinceramente não sei se achei pior ele dizer isso ou ninguém no auditório se espantar da fala. Belo balde de água fria esse começo!

Depois veio o Dória Jr, que já mencionei. Na terceira mesa, depois do almoço, parece que as coisas começaram a engrenar. @ginnamorelo falou sobre o não da Colômbia, respondeu à pergunta que sempre fazem no festival para palestrantes com alguma experiência de cobertura em tráfico. (Narcos romantiza a vida de traficantes? Sim! Anabel Hernández disse o mesmo no ano passado. Anabel cobre El Chapo no México.)

@zygaro fez uma fala interessante sobre a Rússia e surpreendeu ao falar que a vida de jornalista sob o governo Putin não traz mais risco que a de um encanador no país. Desconstruir preconceitos: sempre bom.

Na última mesa o festival voltou ao que foi nos anos anteriores. @WalterVRobinson, editor de Spotlight à epoca das matérias que revelaram casos de padres abusando de crianças em Boston deu aula, foi fofo, engraçado. Fez valer o dia!

Domingo cedo, recém com 28 anos anos, lá estava eu e @paulacardozos marcando presença no segundo dia do festival. A primeira mesa foi com o venezuelano @cbatiz que destacou o papel das redes sociais pra fugir da cobertura única feita pela imprensa. Pra um lado ou pro outro, parece que a imprensa tem sido motivo de crítica em todo canto, né, não?

A conversa com Ciro Gomes foi boa para gargalhadas, pra bater na esquerda e na direita e pra ele se lançar com ampla cobertura pra 2018. Basicamente isso. A manchete dele poderia ter sido várias, mas ficou no nível da baboseira sobre a Ralph Lauren dita no dia anterior por Dória. (Quando eu digo que foi um tempo mal gasto…)

Michael W. Hudson falou dos #PanamaPapers. Como a gente nunca deu muita bola pra essa cobertura aqui no Brasil, a história teve menos potencial do que poderia ter tido. Mas é uma puta cobertura. Hudson também fez uma ótima fala pra jovens jornalistas.

A gente fica cansado, mas o coração dói quando o festival vai chegando perto do fim. A penúltima mesa também foi das que lembrou os antigos festivais e trouxe Jon Lee Anderson falando sobre suas coberturas pela AL e em áreas de guerra. Anderson, ao falar sobre o não da Colômbia e o #Brexit, brincou que a gente deveria parar com os referendos. É. Estamos descambando pro fascismo. Vamos politizar, gente! Senão o que virá por aí tende a não ser coisa boa não, viu?

A última mesa foi sobre a Mani Pulite porque é claro que brasileiro não ia perder a chance de chafurdar mais na história da Lava Jato. A cobertura tá bem ruinzinha desde sempre. Minha recomendação de leitura é a matéria da @malugaspar na revista piauí desse mês. Tá ahasany! @gbarbacetto, que escreveu um livro que deve ter uns dois quilos sobre a Mani Pulite, evitou traçar comparativos com a nossa operação, diferenciou cobertura jornalística de divulgação de vazamentos e disse que enquanto jornalista considera ter feito o seu papel.

E assim mais um festival chegou ao fim. Foi bom. Poderia ter sido melhor. Ano que vem eu certamente estarei lá novamente. See you, guys!

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