Todo mundo falou sobre o Boticário. Eu também! \o/

Em TRÊS DE JUNHO DE DOIS MIL E QUINZE a gente ainda precisa falar da sexualidade alheia. Vocês são de fuder, viu? Regra elementar da vida na terra, eu acho que o que alguém faz com o próprio corpo não me diz respeito. Eu acho que, a menos que alguém venha com o corpo pra cima do meu corpo, eu não vou dizer nada sobre as marcas de nascença, os piercings, tatuagens, a forma como o corpo é usado para o trabalho, o lazer ou o prazer. É o corpo do outro. Não pertence a mim em nenhum caso.
Mas as pessoas adoram legislar sobre o corpo do outro. Elas acham que tudo precisa ser liberal e liberado. Menos o corpo. O corpo é tratado como bem universal de todos os homens. (E aqui homens são mais homens que humanos. Mas são também um pouco dos dois.) Todos os homens, enquanto donos do corpo universal decidem quando o corpo pode sair na rua, quando o corpo pode decidir não gerar outro corpo, quando o corpo merece respeito e que tipo de roupa o corpo pode vestir. Caso contrário, ninguém irá se responsabilizar por um corpo semi despido ~provocante~ andando por aí a noite!
Os dominadores de corpos além de se dar o direito de decidir que o nosso corpo pode ser usado segundo a conveniência dos homens (Outra vez mais homens que humanos, mas também homens e humanos.) diz que no tempo livre, quando a gente pode tomar alguma pequena decisão sobre o nosso corpo, não podemos usá-lo numa relação sexual com outro corpo do mesmo sexo. Para! É muita restrição pra uma coisa que a gente achava que era nossa, né?

E aí, num ínfimo de normalidade, uma marca faz umapeça publicitária (Bem tímida, por sinal.) pro dia dos namorados, dia aterrorizante pra algumas pessoas, ainda mais quando os corpos com os quais os nossos corpos podem se relacionar são tão restritos, e a fucking família tradicional brasileira, a droga do moralismo da nossa sociedade tão imoral começa a dar piti por que (Eu esqueci como usa os porquês.) a imagem de corpos se abraçando pode fazer mal às crianças. WHAT?
Já falei um milhão de vezes que não entendo essa ‘crença’ de que ver gays nos deixa gays. Já vi milhares. Beijos, pegação, tudo que aqueles corpos e os nossos corpos têm direito, e tô aqui, heterinha da Silva. Porque tanto moralismo? Porque querer destruir felicidades alheias quando a gente pode só ser feliz?
Eu falo de corpos alheios. Deveria ser desnecessário ter de fazê-lo. Mas quando cerceiam direitos de outros corpos estão também tolhendo o meu corpo. Estão dizendo onde meu corpo pode ou não estar, o que o meu corpo pode ou não fazer. E quer saber? O corpo é meu. Total e completamente meu. Portanto, querem legislar? Legislem. Mas legislem de forma a garantir que tudo que for dito sobre o meu corpo é que eu, e apenas eu, tenho direito a ele. Que ninguém pode tocá-lo sem que eu permita e que, caso ocorra, haverá uma patrulha de senhorinhas, haverá todo um aparato do Estado garantindo que seja condenado e punido quem passou dos limites. Limites esses que só eu, dona de mim, dona do meu corpo, posso definir.
Publicado originalmente em http://politicafodaemais.com/