Obra

Fita métrica para medir o tamanho da vergonha ao ver seu próprio filho chorando lágrimas impróprias frente ao ato pecaminoso.

Esquadro para conferir a simetria perfeita da derrota ao descobrir em si mesmo a impossibilidade de amar.

A linha de pedreiro para atar o próprio corpo, máquina incontrolável de caminhar rumo à obscenidade.

Furadeira crânio adentro para tentar reparar toda sorte de pensamentos perversos. Broca que chega fundo, até a alma.

Serra para podar as pernas, cansadas de caminhar por buracos que tragam a noite da cidade e vomitam sua bílis.

Solda para derreter coração.