EDUCAÇÃO S/A - ações ao portador

E agora o Brasil parece ter despertado para a relevância da temática da educação lê-se, Pátria Educadora. Porém, constatamos o contrário, a implantação de outro modelo de educação este, contrariando a essência da Lei de diretrizes básicas da educação, a LDB .

Mapa das Escolas Estaduais Ocupadas em SP Fonte: CMI/SP

Destacamos aqui, o Estado de São Paulo, que há décadas se debruça, implanta e sucateia através, de sua prática neoliberal, uma atuação orientada e objetivando a expansão em todos os níveis de ensino a implementação de políticas de avaliação e controle de qualidade ofertada para o mercado e tem como norte a privatização do ensino.

10 e novembro de 2015, Capital de SP …

…chega a ordem: quase uma centena de escolas públicas seriam fechadas pelo Governo. Após várias manifestações, a juventude decidiu ocupar as Escolas, na madrugada deste dia.

Uma das justificativas mentirosas do Governo de São Paulo foi a evasão escolar.

Mas quem realmente evadiu?

Todos os dias ouvimos expressões como: qualidade total, modernização da escola, adequação do ensino à competitividade do mercado internacional, deserção do Estado, descentralização e entre outras da ordem do discurso neoliberal para a educação.

De acordo com Paulo Ghiraldelli Jr. em Infância, Educação e Neoliberalismo a ideia é

Atrelar a educação escolar à preparação para o trabalho e a pesquisa acadêmica ao imperativo do mercado ou às necessidades da livre iniciativa. Assegurar que o mundo empresarial tem interesse na educação porque deseja uma força de trabalho qualificada, apta para a competição no mercado nacional e internacional.
BINGO! Os estudantes perceberam as entrelinhas deste projeto ocuparam as Escolas, saíram às ruas e claro, a Polícia Militar do Estado de São Paulo entendeu como desacato

e com o uso da força agiu de forma ilegal ferindo os princípios do ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente

É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

O neoliberalismo defende a não participação do Estado na economia e ao mesmo tempo, privatiza os nossos sonhos e usa de sua

força militarizada para privatizar e oprimir as nossas vidas.

O modelo neoliberal aborda a Escola no âmbito do mercado e das técnicas de gerenciamento, esvaziando, assim, o conteúdo político da cidadania, substituindo-os pelos direitos do consumidor.

Por um lado, a escola continua a mesma, seriada e dividida por disciplinas. Com a inserção de novas tecnologias e novas técnicas de ensino-aprendizagem podemos mudar um pouco este paradígma. Mas aida há muito o que mudar tendo em vista que a nossa estrutura é do séc XIX.

Quando estes se mostram contrários, mais uma vez a força prevalece. Nosso modelo de polícia militar não privilegia a chamada de segurança pública e sim, usa de sua força, para oprimir aqueles que são contrários às pautas de seus mandatários.

Neste esteio, mais uma vez, surgem os jovens estudantes secundaristas paulistas que lutam por uma educação que não seja como este modelo. O levante de novembro de 2015 contra o fechamento de 94 escolas, culminou na ocupação de mais de 200 que seriam afetadas pelas ações de precarização do ensino público engendradas pelo Governo de Geraldo Alckmin.

A coragem e a solidariedade demonstradas pelos estudantes e o apoio popular estavam presentes e todo o país acompanhou a truculência de um Estado que usa todos os meios para violentar.

Os gritos seguem ecoando na rua talvez anunciando uma profecia já concretizada: Acabou a paz, isto aqui vai virar o Chile! Bradaram os estudantes paulistas na primavera de 2015.

A “revolta dos pinguins”, uma referência aos uniformes dos secundaristas da rede pública, –provocou a primeira grande crise no governo social democrata de Michelle Bachelet e uma onda de protestos que tomou conta do Chile em 2006.

É imprescindível fazer uma busca considerável a fim de trazer algumas indagações sobre os responsáveis da atual condição que a educação mundial e brasileira se encontram. Como a ideologia neoliberal e as influências internacionais, permite-nos perceber que esses não se constituem um sustentáculo para a viabilização da educação.

Significa dizer, que eles nunca foram à garantia de que a educação básica acontecesse, e muito menos que ela fosse democratizada.

Verifica-se somente a busca de interesses pessoais, custe o custar, até mesmo o futuro dos jovens, que só querem ter garantido dignamente o direito de serem educados/as.

Percebemos que as atuais políticas educacionais brasileiras evidenciam a expansão das políticas mais convenientes aos interesses do capital. Essas políticas contam com o apoio decisivo de alguns Estados e a conivência do Governo Federal para manter sua base e sua governabilidade.

Educação S/A — modelo de Escola com fins lucrativos, caracterizada por ter o seu capital financeiro dividido por ações. Os donos das ações são chamados de acionistas e suas ações são ofertadas na bolsa de valores…

Este ensaio veio ampliar o debate que está presente na obra do documentarista Carlos Pronzato que aterrizou no Estado de São Paulo para ouvir os jovens, professores/as, sindicalistas, e as famílias. Os trechos compartilhados acima, são fragmentos do documentário

ACABOU A PAZ — Isto aqui vai virar o Chile — Escolas ocupadas em São Paulo, na íntegra …
Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo. Paulo Freire

Somos feitos de pessoas.

Richardson Pontone

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