preliminares

eu permaneci acordado. você dormia há apenas alguns minutos, mas já roncava levemente. parecia já estar bem profunda em relaxamento. porém eu fui tomado por um tesão de proporções indescritíveis. e quis, com um desejo caloroso, te acordar com toda malícia que me é cabível.
estava frio, e nós, bem enrolados em cobertores e cheios de roupa de inverno. cada qual a sua própria coberta. desfiz-me da minha rapidamente, mas com cuidado. e fui sorrateiramente para baixo da tua. encostei meu corpo no teu com todo calor que me é presente em momentos de fogo passional. você despertou sem susto quando, com meu braço direito, te puxei a cintura para encaixar nossas vontades. você logo sentiu todo meu querer. e no silêncio do quarto, um leve gemido irrompeu o escuro.
te beijando o pescoço, sinto o contorcer do teu quadril. e o começo do descontrole das tuas pernas vem quando te toco ambos os lábios em simultâneo. dedos e boca. te mordo a bochecha. te beijo o queixo. te lambo o pescoço até bem perto da orelha. mordisco. e volto beijando tudo, enquanto meus dedos fazem festa. massagem. trêmula perna que roça na minha. tua pele é arrepio puro. sinto tão levemente em mim cada um teu. minha mão esquerda te acarícia os cabelos. e cuidadosamente vão penetrando-os. deixando alguns escorrerem como água entre cada. todos se esticam num movimento único e se contraem. puxando tua cabeça para trás, em um supetão que finda lentamente. e te mordo o pescoço. subo minha mão direita e imito saudade. e outro gemido corta a imensidão silenciosa que é um pequeno quarto à noite. só se ouve um querer intenso.
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por Samuel Auerbach
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