Na edição paulista do Festival No Ar Coquetel Molotov, Alessandra Leão, Isaar e
Karina Buhr cantaram o afeto e percorreram as principais músicas de suas carreiras desde a estreia da Comadre Fulozinha

PoroAberto
Dec 3, 2018 · 3 min read
Foto: Pérola Mathias

Saiba bem do caminho na largada
E não vá se perder com tanta estrada
Não se pode esquecer do objetivo
Não há laço maior que o afetivo
Nem amparo melhor que a madrugada

Alessandra Leão, Isaar e Karina Buhr subiram ao palco do No Ar Coquetel Molotov e aqueceram a estreia do festival em São Paulo na última sexta. A chuva não impediu que o público fizesse uma enorme ciranda na plateia do palco Coquetel Molotov, cantando as músicas e tietando as cantoras com gritos de “lindas!”. Acompanhadas por Lello Bezerra na guitarra e Mestre Nico na bateria e no trompete, as três se reuniram depois de mais de vinte anos de terem lançado o primeiro disco com a banda Comadre Fulozinha.

Antes do Molotov, o trio havia se reunido em dezembro do ano passado no Festival São Batuque em Brasília. Mas a reunião não é uma retomada da banda, nem uma rememoração saudosista de outros tempos. É um encontro musical de três grandes artistas, permeado pelo afeto e admiração que sentem uma pela outra. No show, cantaram músicas de dois dos discos lançados com a Comadre, Comadre Florzinha (1999) e Tocar na Banda (2003), e das carreiras solo das três. Alessandra Leão escolheu duas músicas de seu disco Dois Cordões (2009); Isaar passeou pelas músicas de seu Azul Claro (2014), além do sucesso “A dança da moda”, que gravou com a Orquestra Santa Massa; e Karina Buhr entrou com Rimã, do seu último disco, Selvática (2015).

Foto: Pérola Mathias

Os ritmos populares regionais, como coco, maracatu, baião e ciranda são a levada principal que as musicistas trazem tanto da experiência musical, quanto pessoal. Como elas comentaram durante o show, se conheceram nas ladeiras de Olinda, tocando e brincando, e dali seguiram para o mundo não só com os ritmos que formam a folia local, mas absorvendo todo tipo de sonoridade. É assim que as obras das três vêm trançando, de forma coerente, tradição, pesquisa e experimentação no ritmo e na poesia. O show apresentado, além de ter sido um emocionante encontro, esteve o tempo todo conectado com a personalidade musical atual delas.

Foto: Pérola Mathias

O fato de o Festival No Ar Coquetel Molotov aportar em São Paulo justo nos seus 15 anos de existência é uma significativa ampliação do projeto de Ana Garcia, que tem Recife como casa, mas tendo rodado por capitais como Salvador e Belo Horizonte nos últimos anos. No lineup paulista, além das Fulozinhas, se apresentaram os goianos do Boogarins, a paranaense Tuyo, o baiano Baco Exu do Blues e os paulistas e paulistanos Edgar, Maria Beraldo e Coletividade Namíbia.

Foto: Pérola Mathias

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Por Pérola Mathias | www.poroaberto.com.br

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