Alunos da PUC promovem discussão sobre os limites da exposição fotográfica

Carol Rocha e Luiza Lara

“É muito importante que a história se apresente pra você sozinha. Não precisa ter uma ganância de dar sua opinião, de falar sobre o que você viu, porque as vezes você pode perder a melhor parte”. Foi o que disse Sérgio Silva, fotógrafo que perdeu a visão de um olho durante um protesto em junho de 2013 e marcou presença no evento; sua história conversa (e muito) com o tema do encontro.

Durante uma cobertura que fazia da manifestação contra o aumento dos 20 centavos no preço das passagens, Sérgio foi atingido por uma bala de borracha disparada por um PM. O fato tirou a visão do seu olho esquerdo e o juiz responsável pelo caso afirmou que ele havia assumido os riscos do ofício ao se colocar na linha de frente do protesto.

Muito dessa questão acabou alimentando as apresentações dos convidados e as perguntas dos ouvintes, uma vez que instiga o debate sobre os limites do trabalho do fotógrafo e sua relação com o meio.

Construído pelos alunos de jornalismo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, o evento teve como tema “Fotojornalismo e direitos humanos: retratos da humanidade?”. A mesa abordou como a fotografia poderia registrar grandes eventos e conflitos mundiais sem ferir os direitos humanos, e contou com a presença de cinco profissionais da área, além de mediação de professores.

Entre eles estavam, além de Sérgio Silva, Jardiel Carvalho e Rodrigo Zaim, do Fotocoletivo R.U.A.(Registro Urbano Autoral), que mostraram trabalhos feitos em manifestações, comunidades incendiadas e ocupações de escolas. Os registros, segundo eles, eram o resultado de uma longa relação de confiança com os personagens em questão, o que ia de encontro com o compromisso de não ferir os direitos humanos.

A mesa ainda contou com a participação de Rogério Assis, fotógrafo independente que cobriu o cotidiano de uma tribo e fomentou a discussão sobre os limites que o seu trabalho teria frente à invasão da cultura indígena, e de Renato Stockler, da Agência na Lata.

O bate papo foi parte da programação da 38ª edição da Semana de Jornalismo PUC-SP, que teve como tema “O Jornalismo e a Prática da Democracia” e discutiu o papel da mídia como ferramenta da democracia. Ocorrido entre os dias 26 e 30 de setembro, o evento é anual e organizado pelos próprios alunos da instituição.