Categorias de base, da terra à grama

A formação do futebol tem um grande número de pérolas a serem lapidadas, podendo virar jogadores talentosos e render um bom retorno financeiro para seu clube formador.

Renan Richters de Souza

João Miguel Lobo Lotufo

Quando se fala de categorias de base, é muito importante saber que a finalidade desse setor dos clubes é formar jogadores para o futebol profissional. Mas pode variar, dependendo de cada agremiação. Isso acontece de duas formas: observando os resultados ou observando o processo. No caso dos resultados, o Brasil talvez seja o país com mais jogadores em atividade no futebol mundial, em todas, ou quase todas as ligas do mundo. E boa parte das divisões na Europa, na Ásia, África existem brasileiros. Também deve-se deixar claro que não somente a quantidade de jogadores formados é importante, mas também a qualidade, já que na maioria dos grandes clubes existem brasileiros atuando. Eles costumam tornar-se jogadores vencedores dos prêmios de melhores do mundo. Atualmente, um dos três melhores é o brasileiro, Neymar

Base do Santos Fuebol Clube

Porém ao se observar de outra forma, em termos de processo, talvez as categorias de base brasileiras deixem a desejar em algumas circunstâncias. Levando em consideração a potencialidade do país para formar jogadores, devido ao fato de a cultura esportiva ter como base o futebol e a qualidade de alguns jogadores de gerações anteriores. Possivelmente se devem formar mais jogadores e de mais qualidade. Nesse ponto pode-se pensar que as categorias de base podem melhorar e devem melhorar.

A cultura brasileira é a de que, quando uma criança começa a andar, os pais esperam ansiosamente o primeiro chute do filho. A brincadeira que mais se faz é jogar futebol. Isso faz com que as crianças que entram nas categorias de base já tenham uma grande vivência relacionada ao futebol, tanto assistindo a jogos quanto jogando por muito tempo, enquanto noutros países há diversos esportes e atividades para as crianças, diminuindo o tempo concentrado no futebol e, consequentemente sua qualidade no jogo.

“A base no futebol brasileiro passou pelo processo de modernização. O dilema e a questão da formação é trabalhar em cima do ganhar. Os clubes já estão preocupados com a formação, para que chegue o maior número de atletas qualificados no plantel principal. Penso que as bases dos grandes estão desenvolvendo um trabalho de excelência”, diz Gabriela Moreira, Jornalista da ESPN.

Em termos de finanças em categorias de base, existem clubes que não conseguem oferecer ao jogador toda a estrutura sem cobrar nada. Alguns até ainda precisam de ajuda financeira dos jogadores para se manterem, pois é necessário pagar uma mensalidade para cobrir os custos das competições e treinamentos. Enquanto há outros clubes, que conseguem oferecer toda a estrutura sem nenhum tipo de cobrança e, normalmente, os melhores jogadores estão neles. Portanto, os clubes não têm condições da mesma maneira.

Em relação aos treinamentos, pode-se perceber que eles podem ser direcionados pelo objetivo do clube. No caso de ser o título de campeão, o treinamento pode ser voltado para formas de vencer. Se houver como objetivo a formação, porém, os clubes estarão criando treinamentos que qualifiquem o jogador.

“Atualmente um jogador tem que fazer parte de um conjunto, tem que ser integral, não adianta somente ser habilidoso ou bom de passe ou somente bom marcador, quanto mais completo o jogador for hoje em dia, melhor será para o grupo e para o clube”, diz Fabiola Andrade, jornalista do Sportv.

O processo de qualificação de um jogador demora e muitas vezes abre-se mão da vitória por isso. Assim, é importante levar em consideração no processo a captação dos jogadores. Caso o clube tenha como objetivo ser campeão sempre, buscam-se jogadores que tenham maior desenvolvimento físico e que resolvam os problemas do jogo mais facilmente. Porém nem sempre são esses os mais qualificados, e que irão conseguir jogar os campeonatos mais difíceis do mundo, quando profissionais. O processo varia muito nos clubes e é direcionado pelo objetivo e pela cultura do clube. Cada clube tem suas particularidades e acredita em determinadas formas de conduzir ou qualificar os atletas.

As questões políticas dos clubes são complexas, já que no Brasil não há uma filosofia. A maioria das categorias são sucateadas, ou seja, dominadas por empresários, que utilizam as formações de base única e exclusivamente para seus interesses. Como os clubes não possuem força financeira, existindo muitas dívidas, acabam tendo que se submeter a parcerias com empresários que os ajudam a pagar tudo em troca de certo poder no comando deles, exigindo colocar seus jogadores e ganhando outros. O retorno financeiro obtido pode vir de uma porcentagem do que recebe os melhores atletas, que já estavam no clube e, se utilizando disso para fazer do clube como se fosse uma vitrina. Sendo assim, não se pensa em fazer um elenco de qualidade e, sim, ganhar dinheiro.

Portanto, para a formação da base gerar talentos para os maiores times do mundo, dependerá, principalmente, dos objetivos e do financiamento de cada clube. Alguns visam lucro, outros formar jogadores para o âmbito profissional, enquanto outros buscam vencer as competições. Cada um tem seu objetivo e buscará cumpri-lo da melhor forma.