Muito além dos padrões estão as mulheres reais

Por Ariane Freire de Sá e Isabella Lopes Leal Silva

Ao longo dos anos, diferentes padrões de beleza foram difundidos pela sociedade e meios de comunicação, especificando características e medidas que fossem exclusivas para alta burguesia. Em um contexto geral, o objetivo era exaltar uma minoria dentro dos ideais mais difíceis de alcançar naquele momento, para que os demais indivíduos tivessem algo como meta a atingir, espelho para os próprios moldes de comportamento e aparência.

Muitas vezes, é difícil lidar com uma pressão psicológica tão forte e difundida no nosso cotidiano, principalmente para meninas que ainda não tem uma personalidade definida, pois acabam se influenciando por padrões muito distintos de sua própria realidade. Revistas de moda tentam definir o que é ou não bonito, mas sem lembrar que somos a mistura de vários povos, com diferenças que nos constroem e devem ser valorizadas igualmente.

A exclusão esteve sempre presente com a definição de padrões. Durante o Renascimento, por exemplo, o perfil idealizado eram mulheres com formas abundantes que pudessem representar a fartura e a vida ociosa dos ricos, e assim as demais pessoas não teriam condições de alcançar a mesma qualidade de alimentação e estariam à margem deste ideal.

Nos dias contemporâneos, devido a uma rápida industrialização, há uma maior produção de alimentos e o padrão mais difícil de ser atingido voltou-se para as mulheres magras, que em meio a tanta abundância de alimentos conseguem manter uma dieta restrita, o que frequentemente exige acompanhamentos médicos que custam caro e não são acessíveis para a grande maioria.

Diante dessa nova idealização, produtos, campanhas e programas televisivos passam a representar esse perfil como único modelo de mulher, exigindo que todas fora das medidas estabelecidas se adaptassem de alguma maneira. Dietas milagrosas e promessas de corpo perfeito ainda são constantemente vendidas no mercado e, estar acima do peso tornou-se um problema para muitas mulheres ao se olharem no espelho e imaginarem um “corpo de verão”.

Características naturais como celulites, estrias, varizes, cravos e outros detalhes, passaram a ser vistos como “defeitos”. O que no discurso é “parte de você, da sua história”, se torna um problema de autoestima devido a tantas pressões. Resumindo a padronização ao peso ideal, tudo conspira para o aumento natural das medidas: alimentação, trabalho, sono, tempo, bebida, remédios, relacionamentos… Mas sempre o ganho de peso estará relacionado a algum problema que deve ser combatido, controlado e julgado por todos que se “preocupem” com o bem estar daquela pessoa.

O fato de existir corpos considerados desajustados ao sistema é apenas um dos grandes problemas contemporâneos que encaramos diariamente. O importante é que novas vozes sejam ouvidas, que os padrões se desconstruam a cada dia e todas entendamos a beleza em cada traço feminino independente do que é difundido pela mídia. E para fortalecer as mulheres nessa luta, pelo menos três passos são muito importantes: o primeiro é não aceitar padrões para definir quem somos, pois estamos em uma constante construção de personalidade, com mudanças que são necessárias e importantes para o nosso crescimento pessoal. O segundo é valorizar pessoas que realmente nos inspiram e possam nos representar além dos perfis tradicionais e, finalmente, o terceiro passo, é reconhecer toda forma de beleza como única e especial, buscando nas mulheres a força e coragem para assumir a própria identidade e lutar todos os dias contra qualquer rótulo que tentem estabelecer. Assim todas teremos a melhor concepção de beleza que nenhuma marca ou produto poderia nos dar, pois a melhor valorização de quem somos está na consciência de cada mulher.