O sofrimento de uma etnia representado em um cabelo

Uma sociedade que chama de moda seu preconceito é posta em debate

O cabelo crespo, que é muitas vezes é mal visto socialmente, leva mulheres e até crianças a usar fortes produtos químicos no cabelo no intuito de alisá-los. Estas químicas podem causar danos à saúde principalmente por causa do Formol, produto usado na maior parte dos procedimentos em salões de beleza. Recentemente, houve um estudo sobre os produtos que diziam alisar os cabelos de forma menos agressiva e sem o uso do formol. Foi constatado que quase todos os produtos continham um componente químico que, quando aquecido, transformava-se em formol, alisando os cabelos. Nanda Cury buscou combater isso, criando a Marcha do Orgulho Crespo. Sendo que, ela mesma, sofreu durante anos com o preconceito sobre seu cabelo e com as fortes químicas que utilizava. Com isso, ela foi uma das convidadas para a Semana de Jornalismo da Pontifícia Universidade Católica que ocorreu do dia 26 de setembro e durante toda semana proporcionou mesas de debates, de manhã e de noite.

Na quarta feira, dia 28, o tema do debate à noite foi: Moda, comportamento e padrões excludentes e contou com a presença de Nanda Cury, Maria Rita Casagrande e Stephanie Ribeiro na mesa.

Maria Rita Casagrande é coordenadora do blog Blogueiras Negras, o qual divulga conteúdo sobre diversas questões do cotidiano em nossa sociedade. Os textos denunciam os preconceitos sofridos pela mulher negra, também levando em conta as particularidades de cada uma. Uma vez que o racismo sofrido por mulheres negras, por vezes, possui preconceitos que diferem dos sofridos por um homem negro. Sem contar que mulheres negras também sofrem com o machismo e também são LGBT. Os textos ainda abordam sobre a historicidade nestas questões e também propagam o orgulho negro.

Stephanie Ribeiro é uma militante, feminista e negra. Sendo assim, ela participa ativamente do combate aos diferentes preconceitos sofridos por ela e outros grupos sociais.

Das questões debatidas, o colorismo, o feminismo branco, o feminismo negro e efeito do racismo na saúde mental foram os de maior destaque. Ainda houve uma fala onde foi denunciado o racismo dentro de um coletivo feminista da própria instituição, revelando o racismo velado com que convivemos. Uma das meninas do coletivo, em uma discussão, disse a uma outra participante do coletivo, que é negra, que “não adianta falar que é negra e pobre quando vc paga mais de 2k de mensalidade na PUC sem Fies e sem qualquer tipo de financiamento’. A menina que sofreu racismo foi a mesma que denunciou o caso no debate, após a fala ela se retirou do local. Tal fato, fez com que o debate fosse até estendido, discutindo as divergências do feminismo branco e do negro e o silenciamento dos casos de racismo.

Nomes: Ísis Balliari e Isabella Rocha Garcia

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