Painel sobre fotojornalismo e direitos humanos acontece na 38ª semana de jornalismo da PUC-SP

Informativo de Helena B Lorga e João Pedro Abbade

A discussão tinha o objetivo de valer-se da linguagem da fotografia como forma de comunicação e expressão sobre Direitos, pois imagens inspiram reflexões acadêmicas dos estudantes de direito A Semana de Jornalismo da PUC-SP é um evento que acontece anualmente, sendo organizado pelos e para os alunos, independente do seu curso ou universidade. No ano de 2016, o tema foi “O Jornalismo e a Prática da Democracia”, essa 38ª edição do evento contou com palestras e mesas de debates com grandes nomes da mídia, professores e especialistas do assunto. A semana acadêmica discutiu o papel do jornalismo dentro da democracia questionando se a mídia atual é um meio democrático ou apenas reforça os padrões excludentes dessa nossa sociedade.

Na quinta-feira, pela parte da noite ocorreu uma mesa de debate discutindo ‘Fotojornalismo e Direitos Humanos’ e com isso os ‘Retratos da Humanidade.’ Na mesma estavam: Jardiel Carvalho, idealizador do fotocoletivo R.U.A. e fotográfo da VICE; Renato Stockler, da Agência na Lata; Rodrigo Zaim, também do fotocoletivo R.U.A; Rogério Assis, fotógrafo Independente e Sérgio Silva, também fotógrafo independente.

A discussão tinha o objetivo de valer-se da linguagem da fotografia como forma de comunicaçãp e expressão sobre Direitos, pois, imagens inspiram reflexões acadêmicas dos estudantes sob a temática dos Direitos Humanos.

Muitos intérpretes de nossa história debruçaram-se sobre os processos político-econômicos que teriam feito do Brasil um país de contrastes sociais obscenos. Criou-se até uma terminologia para a parcela da nação esquecida pelos políticos e não retratada pela Grande Mídia.

E foi o interesse por esta porção “invisível” de nosso país que levou Sérgio Silva a procurar outros caminhos em sua profissão de fotógrafo. Assim, suas fotos, muitas vezes epidérmicas, invertem alguns de nossos estereótipos. Seu trabalho não redunda num erro comum presente em esforços do mesmo tipo: reforçar o estigma de exotismo que paira sobre certas regiões.

“A fotografia é um conjunto de olhares sobre o mundo, sendo um estímulo à conscientização do sujeito sobre a sua interferência pessoal na tentativa de transformação social do ambiente em que vive.”

O olhar do fotógrafo não é redutor ou condicionador: há uma vitalidade natural em suas imagens. São crianças, famílias, trabalhadores que, acostumados à invisibilidade, parecem à vontade na presença da lente e naquele que a segura, comentou Rogério Assis.

Rogério, que é muito conhecido por fotografar os Índios Zo’é ressaltou que quando você vai até um ambiente tão diferente fotografar você é o intruso e por isso precisa fazer da sua presença a menos invasiva possível. Nesse tipo de situação o dever do fotógrafo é observar, interagir, fazer com que sua presença seja o menos visível possível, para só assim fotografar. Porque só dessa maneira espontânea as fotos retratam a verdadeira realidade

E, com este trabalho, de qualidade estética e valor social, o artista coloca a fotografia em função dos direitos humanos. Mostrar o que nunca tem visibilidade é uma forma de resgatar o direito humano essencial à comunicação. É uma forma de apostar no que pode haver de melhor em nosso projeto de sociedade.

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