Palestra Moda, Comportamento e Padrões Excludentes

Ariela Pellegrine

Raisa Santos

A palestra de quarta-feira à noite, 28 de setembro, da 38ª Semana de Jornalismo, teve como tema Moda, Comportamento e Padrões Excludentes. A mesa foi composta por Nanda Cury, do Blog das Cabeludas e Marcha do Orgulho Crespo, Maria Rita Casagrande, Blogueiras Negras e Stephanie Ribeiro, aluna da PUC Campinas e militante feminista negra. O evento contou com a presença de aproximadamente 70 pessoas.

O debate teve como tema principal o papel da mulher negra na sociedade e não apenas no mundo da Moda. Maria Rita abriu a conversa contando sua experiência e de sua família em situações de preconceito, como a definição de seu filho como mulato (e não como negro) no colégio. Formada em Moda na Faculdade Santa Marcelina, sofreu preconceito desde o momento da matrícula, no qual ouviu de um funcionário que aquele “não era lugar para pobre” e “não deveria se matricular se não tivesse dinheiro para pagar até o fim”. Mesmo formada, não conseguiu colocação profissional e tem dificuldades até hoje, com 36 anos e duas graduações, para se inserir no mercado de trabalho. Finalizou com um questionamento sobre a definição atual de beleza. As mulheres negras na mídia seguem um padrão no qual ela não se encaixa, pelo fato de ser gorda e careca.

Nanda abordou a história de seu Blog das Cabeludas e o que a motivou a criá-lo. Desde pequena teve problemas com seu próprio cabelo crespo e não encontrava no mercado produtos para cuidar dele de modo natural. O que havia disponível eram tratamentos químicos muito agressivos, como relaxamento e alisamento somados a horas de escova e prancha. Esses procedimentos são agressivos e podem causar a queda do cabelo. Esse cenário a motivou a manter os cabelos crespos naturais e incentivar outras mulheres a fazer o mesmo, através do seu blog e da Marcha do Orgulho Crespo. O evento foi realizado pela primeira vez em 2015 na avenida Paulista.

A terceira convidada, Stephanie abordou o papel da mulher negra na sociedade. Trouxe expressões de racismo mascaradas do cotidiano, como o fato de elas serem consideradas agressivas e muitas vezes não serem consideradas mulheres. Falou sobre o preconceito dentro do seu condomínio, quando até pequenas atitudes, como a maneira que ela fecha o portão, incomodarem os vizinhos.