A desgraça de Napoleão

Antes de mais nada: Isso é uma história de amor (ou não) em cinco rápidos parágrafos. São, quase sempre, casos verídicos alterados de forma sutil para servir à proposta do blog. Os personagens e os ambientes são ou podem ser fictícios.

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Nada na vida de Napoleão parecia fadado ao sucesso. Desde 1986 ele acumulava episódios lamentáveis de derrotas onde quase sempre a culpa era do acaso, do imponderável, ou digamos, de um puta azar do caralho.

Era quinta-feira e a vida de Napoleão estava prestes a mudar. O sol saiu detrás das nuvens, os vizinhos finalmente pareciam educados e os comerciantes ofereceram descontos apenas porque foram com a cara de Napoleão naquela manhã. No celular, uma mensagem brotou de surpresa na tela: era Natasha, uma menina que ele conheceu em um destes aplicativos de paquera, mas que nunca tinha uma data disponível para que eles saíssem.

Natasha foi direto ao ponto e disse que não queria mais esperar para conhecê-lo. Napoleão se entusiasmou com a possibilidade e passou a tarde toda com um sorriso de orelha a orelha no trabalho, que aliás, ele detestava. Seria a redenção de tempos mais tristes do que os seus discos antigos da Laura Pausini, os quais ele ouvia incessantemente quando se sentia deprimido. A moça perguntou na mensagem se ele gostaria de ir ao cinema e depois recebê-la em sua casa para o fim do encontro, deixando claras as intenções. Napoleão aceitou de pronto, vislumbrou uma chance de ter uma companhia agradável, quem sabe, se ela fosse uma garota interessante.

A caminho do cinema, no metrô, ela avisou aos risos sobre um pequeno problema cardíaco tratado no passado após cirurgia, mas não era nada que Napoleão devesse se preocupar. Aquilo ficou na mente dele durante toda a noite, depois do filme paraguaio ruim e dos beijos malucos no cinema, sem que eles soubessem se havia química ou não. Porque até ali era só pegação genuína. A verdade é que ele nunca soube se daria certo porque durante amassos no sofá de casa, ela caiu morta no chão enquanto esperava ele buscar uma camisinha no quarto.

Sem saber se ria ou se chorava, Napoleão refez seus movimentos e quase se arrependeu. Em absoluto, contemplou a sua desgraça ao esperar na linha do telefone por uma ambulância. Sentou-se resignado no sofá e se entregou ao momento, assim que apertou o botão do play no som da sala. O aparelho então reproduziu a triste melodia: “Marco se n’è andato e non ritorna piu, E il treno delle 7:30 senza lui, è un cuore di metallo senza l’anima”…

FIM.

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