Marketeiro revolucionário

Sala de escritório. Dois diretores de uma empresa entrevistam Karl Mark para uma vaga no setor de Marketing.
— Então, senhor Karl, eu tô procurando um cara pra dar uma sacudida na empresa. Revolucionar de verdade, sabe?
— Opa. Acabou de achar.
— Vi aqui no seu currículo que o senhor é especialista em atender públicos mais populares, como C, D e E.
— Bom, digamos que eu conheço o interesse dessas classes.
— Também vi que o senhor tem vasta experiência em empresas gigantes… Mesbla, Vasp, banco Bamerindus, fábrica de brinquedos Estrela…
— Verdade. Não só nessas, mas em várias outras que entraram no vermelho.
— Interessante, senhor Marx! E o que o senhor pretende mudar na minha empresa?
— Meu foco é rever a questão da produtividade. Não vou deixar ninguém trabalhar depois do horário. Depois vou igualar o salário de todo mundo: assistente, gerente, estagiário, diretor. Ah, e todo mundo decide tudo junto. Afinal, essa empresa é nossa, né?
— Gosto dessa ambição! — Comenta o diretor com um olhar de aprovação pro seu sócio. Depois continua:
— Mas em relação às mudanças no marketing, o senhor tem alguma estratégia? Sei lá, ação de rua, por exemplo?
— Claro, vamos ocupar as ruas! Vou organizar um grande movimento pra derrubar a concorrência, fazer barulho mesmo. Esquema de guerrilha.
— Esse cara tem o dedo no pulso do povão, viu? — Comenta outra vez o diretor, entusiasmado. Pergunta outra vez:
— Em relação à identidade da marca, o senhor tem alguma sugestão?
— Acho que tá faltando um punch. Uma parada mais atitude, com cara de manifesto, sabe? Pensei em usar uma foice com um martelo. Que tal?
— Boa! Taí, gostei. E o nosso garoto-propaganda? Vamos manter?
Diretor mostra um catálogo da empresa com uma foto do Rodrigo Hilbert. Marx dá uma olhada e comenta:
— Ele é ótimo! Só me incomoda um pouco essa barba por fazer. Deixa ela cheia mesmo.
— Olha, Senhor Marx, eu tô realmente impressionado. Não sei o que o meu sócio acha, mas pra mim a vaga é sua.
— Bom, o cargo é importante. Acho mais prudente a gente trocar um ideia e depois entrar em contato. Tudo bem?
— Beleza, companheiro — Responde o sociólogo.
— Boa sorte, senhor Marx — Diz um dos sócios acenando, com uma expressão otimista.
Karl Marx sai da sala. Os dois diretores conversam:
— Olha, essa cara pensa grande.
— Sei não, viu. Prefiro aquele outro lá, o tal do Adam Smith.
— Ihhh, liberal demais pro meu gosto. Ganhar dinheiro sem intervenção do governo?! Meio utópico, né?
