Um dia roxo por outros mais coloridos

Desde 2008, todo 26/3 é o Purple Day, uma iniciativa que começou com uma menina canadense, a Cassidy Megan, e pretende mobilizar o mundo entorno da quebra de preconceitos e paradigmas com os quais os epilépticos precisam lidar diariamente. Decidi publicar em 25/3 para deixá-lo preparado para amanhã. ☺

Quem é próximo, sabe que fui epiléptico por 20 anos e estou curado dessa doença há 15.

É muito difícil descrever para pessoas que nunca sofreram diretamente os efeitos da epilepsia a importância do Purple Day. Mas vamos lá, vou mandar todo o meu repertório de analogias.

A epilepsia pode ser crônica, com crises de difícil controle, como também pode ser tipo uma caxumba, que acontece uma vez na vida e nunca mais. Os casos de difícil controle normalmente implicam caixas e mais caixas de remédios nos armários de casa, consumo regrado dessas boletas e atenção redobrada com o tempo de sono e o cansaço excessivo.

Eu ignorei a maioria dessas restrições e fui viver a minha vida. Passei por crises em momentos super inadequados, mas fui lá e fiz tudo o que quis até o dia que fui operado.

Para o epiléptico, aí vai uma opinião, o mais difícil é lidar com a falta de consciência.

Uma crise epiléptica nada mais é do que um telefone sem fio nas sinapses cerebrais. Ninguém se entende e, de acordo com a localização da lesão ou a causa das crises, o corpo reage. Algumas pessoas apenas perdem a consciência, outras embrulham as palavras, e por aí vai a lista de consequências.

Eu perdia a consciência e meu corpo seguia no piloto automático. Isso nas crises parciais. Mas nas mais severas eu apagava mesmo, caía no chão tremendo e acordava horas depois no hospital sob o efeito de medicação.

No caso do preconceito, acontece uma coisa parecida. As sinapses entram em colapso por conta da preguiça de entender um pouco melhor a doença, a sua origem e a perspectiva do epiléptico.

A preguiça faz o cara pensar que o caminho mais fácil é ir pela crendice popular do que abrir um livro ou ir ali no Wikipedia. O campo de visão entra em colapso. A percepção fica limitada. O cara perde a consciência. Isso nas crises parciais. Nas mais severas, além da rejeitar o conhecimento, o cara começa a abstrair aquilo que ele desconhece e estabelece uma hierarquia entre os normais e os epilépticos com apontamentos desnecessários sobre aquilo que imagina ser o convívio com a doença. A diferença é que, neste caso, não existe medicação. E o paciente, no caso, o cara, está crente de que não perdeu a consciência.

Mesmo não sendo médico, recomendo que faça um tratamento preventivo por meio desses sites, que ajudarão você a entender melhor a epilepsia e a perspectiva do epiléptico. Não tem contraindicação:

Aspe — Assistência à Saúde de Pacientes com Epilepsia.

Associação Brasileira de Epilepsia

Viva com Epilepsia

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