Viajei para Acapulco como o Chaves e curti as melhores férias da minha vida! (parte 3)

(Leia também a parte 1, a parte 2 e meu texto sobre Acapulco no UOL)

Depois de quatro dias na Cidade do México, o grande dia, enfim, chegou. Quando acordei na manhã de 16 de abril de 2017, sabia que estava prestes a realizar um dos maiores sonhos da minha vida (que, sinceramente, nunca imaginei que iria acontecer). Faltava a última e melhor parte: ir a Acapulco.

Para mim, havia um motivo ainda mais especial para conhecer a cidade que encantou Chaves. O episódio mais famoso da série foi gravado há exatos 40 anos, em 1977. Quatro décadas depois, fiz questão de seguir o roteiro do nosso Chavinho e me hospedei com minha namorada, Jaiane Valentim, no mesmo hotel. Ali, foi uma emoção atrás da outra.

A viagem da Cidade do México até Acapulco demorou cinco horas de ônibus, mais rápido do que ir de São Paulo ao Rio de Janeiro. Acordamos bem cedo para compensar o tempo da viagem e chegar ao hotel não muito tarde. No litoral, percebemos a diferença econômica. Os táxis são veículos mais antigos, como Fuscas. Apesar do turismo, Acapulco é pobre, com mais favelas do que a capital.

A avenida principal, onde Sr. Barriga aparece dirigindo no início do episódio "Os Farofeiros", concentra a maioria dos hotéis de luxo e, consequentemente, da riqueza de Acapulco. Entramos no Emporio (atual nome do hotel) às 14h do domingo de Páscoa, e o lugar estava lotado! Mesmo com o cansaço da viagem de ônibus e a fila do check-in, realizamos nosso primeiro sonho e rodamos a porta giratória como fez Chaves há 40 anos! Mas deixamos para registrar o vídeo no dia seguinte. Sim, giramos de novo, hahahaha!

A porta é mais pesada do que eu pensava (porque Chaves rodava mais rápido), e aparentemente não tem utilidade no hotel atualmente, porque a entrada foi reformada e agora há rampas e uma porta grande de vidro. Parece que a porta giratória só existe para os fãs de "Chaves" mesmo, hehe! Fãs, aliás, éramos apenas nós. Percebemos na Cidade do México e também em Acapulco que os mexicanos não idolatram a série como os brasileiros.

Fomos atendidos pelo Rodolfo, um simpático funcionário que trabalha há dez anos no Emporio. Ele nos ajudou com as malas, viu minha camisa com o nome "El Chavo" e começou a apontar os lugares onde Chespirito gravou "Chaves" e "Chapolin". Também disse que o hotel recebe muitos brasileiros e que eles costumam imitar as cenas dos episódios. Eu me senti em casa!

Cogitamos pedir o mesmo quarto do Chaves (1027), mas ele estava ocupado (depois pensei que nunca deveria ser usado porque é um lugar sagrado!). Ficamos no 13º andar, no quarto 1326, com vista para o oceano. Quando vi a varanda, tomei um choque. A vista era a mesma da TV! Eu me senti como o Chaves quando ele vê o mar pela primeira vez (e eu estava vendo o oceano Pacífico pela primeira vez). Fiquei impressionado. Como Acapulco é linda!

Sempre simpático, Rodolfo se ofereceu para tirar com o celular fotos nossas na varanda. Publicamos rapidamente, mas depois vimos que poderíamos ter uma foto melhor, já que tínhamos uma câmera profissional. "Construímos" um tripé usando a mesa, a cafeteira e uma lata de lixo e conseguimos a imagem perfeita, que ilustra o início deste texto.

Após o almoço, nos preparamos para realizar mais um sonho: tirar uma foto do pôr do sol do clipe "Boa Noite, Vizinhança". Pisamos na praia por volta das 17h (a areia de Acapulco, aliás, é mais grossa e dura). Testamos o enquadramento, a luz e enfrentamos a maré que quase levou para o Pacífico as nossas sandálias! Esperamos mais de duas horas até o entardecer perfeito. Quando chegou o momento certo, peguei meu gorrinho e imitei a pose do Chaves cantando a música. E a Jaiane Valentim me fotografou. Foi suado, mas deu certo! Foto da vida!

Não posso terminar o relato sobre domingo sem falar que jantamos arroz com feijão em Acapulco! Estava com tanta saudade da comida brasileira que pedi "frijoles texanos" no restaurante do hotel. No México, o feijão faz parte do chilli, não é servido como no Brasil.

Na segunda-feira, aproveitamos mais o hotel. Fotografei o lugar onde a vizinhança tomou café da manhã (e Chaves destruiu depois), que está um pouco diferente 40 anos depois. Uma funcionária me contou que no restaurante das piscinas (aquele onde o Sr. Barriga disse que levaria Chaves para comer) havia um barril usado na série! Eu me empolguei, mas nem vendo acreditei. O tal barril servia de apoio para um fogão e uma fritadeira. Para mim, não passa de lenda.

Nosso próximo desafio foi conhecer o quarto do Chaves. No check-in, a atendente nos disse que o dormitório ficaria vago na manhã seguinte. Porém, ele foi ocupado novamente. Fiquei triste por um instante, estava me contentando somente com uma foto na porta… mas a sorte mudou. Ofereceram o quarto vizinho para a gente o visitar, mas quando subimos no décimo andar a camareira nos avisou que o novo hóspede do quarto do Chaves tinha saído e autorizou uma visita rápida. Eu quase não acreditei! Entrei no quarto do Chaves! E ele ainda parece aquele quarto que vi na TV! Os móveis de madeira, a varanda com a vista exata da ilha no meio do mar… eu me senti dentro do episódio de Acapulco! Tive uma das melhores sensações da vida ao pisar em um lugar sagrado para um fã de "Chaves"!

A piscina do hotel (que segundo Chaves parece um rio, hahahaha) também mudou e foi dividida. Sabe aquele trampolim onde o Chaves se equilibrou de ponta-cabeça e gritou "Sai de baixo!" e onde o Chapolin desmaiou ao ser beijado pela Sophia Coren? Não existe mais. No lugar, foi instalado um escorregador que termina na parte rasa. Na piscina, imitamos várias cenas: Quico nadando, Homem Nuclear e Seu Madruga encolhendo a barriga para a "moça bonita". Na praia, ainda deu tempo de enterrar a Jaiane Valentim na areia como a Chiquinha!

Saí de Acapulco e do México com aquela estrofe de "Boa Noite, Vizinhança" na cabeça: "Prometemos despedirmos sem dizer adeus jamais, pois haveremos de nos reunirmos muitas vezes mais". Não sei quando vou voltar, nem se vou voltar, mas no México me senti acolhido, em casa. Uma viagem que sempre ficará na minha memória. Inesquecível. Eterno, como é "Chaves" e a obra de Chespirito. Minhas férias foram as melhores da vida!

ATUALIZADO: Quem disse que viagem terminou? Ontem tivemos a oportunidade de contar ao Edgar Vivar, o Sr. Barriga, sobre a experiência maravilhosa na praia e no hotel que marcaram nossas vidas! Ele foi ao The Noite e o Danilo Gentili mostrou algumas fotos da viagem para Acapulco!

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