Oi, Alice!
A gente ainda não se conhece. Bom, na verdade eu só soube ontem que você é você mesma, então resolvi te escrever. É assim que a gente faz quando conhece uma pessoa de longe, não é? A gente escreve alguma coisinha aqui e ali pra se apresentar, assim você já fica sabendo um pouco mais de como eu sou hoje. Sabe o que é, Alice? É que quando você me conhecer pessoalmente, você já não vai ser quem é agora, e eu também não, mas queria que você soubesse das coisas que acontecem aqui enquanto você está longe.
Bom, meu nome é Caroline. Ou, como você já deve ouvir, Cá ou Carol. Hoje, eu tenho 25 anos e trabalho como relações públicas. E eu acabei de me mudar com o Renato! Você já deve ter ouvido falar dele também. Sou irmã da Dani, aquela que você agora já deve chamar de mãe. Ai, Alice… que bom saber que você está vindo! É que sou muito ansiosa, acho que é uma coisa que vem de família (mas espero que não vá para você), e aí não consigo me aguentar de vontade de te ver! Já peço desculpas agora, não vou te largar, tá bom? É meu jeitinho, pergunte para a sua mãe.
Quando eu soube que você viria, já comecei a me preparar para te receber aqui. E eu ainda nem sabia que você seria uma menina, ou que se chamaria Alice. Sua mãe e seu pai pensaram em MUITOS nomes… eu torci por Isabel, mas tudo bem. Acho Alice a sua cara. Sabia que se você fosse menino, chamaria Miguel? É igual ao nome do seu avô! Demais, né? Por falar nele, você precisava ver a felicidade que foi quando ele soube que você viria. Ele também já esperava isso há muito tempo. E a sua avó, então? A mulher tava que não se aguentava em pé de feliz!
Viu como eu sou ansiosa? São tantas coisas pra te falar que eu já falei de tudo e ainda não falei nada. Mas sem pressa, né? Isso tudo é pra quando você crescer.
Eu te amo, Alice. Não vejo a hora de você chegar.
Um beijo, Carol