“Vida em Marte?”

Um resumo de “O Que É Cinema”, de Jean-Claude Bernardet


For she lived it

No começo, imagem cinematográfica na tela era em preto e branco e não fazia ruídos, portanto não podia haver dúvida, não se tratava da realidade. Só podia ser uma ilusão.
Mas enquanto dura o sonho, pensamos que é verdade.
Quem percebeu que o fantástico no cinema podia ser tão real como a realidade foi George Méliès. Em sua tela, ficou uma mágica com toda a força de uma realidade. No cinema, fantasia ou não, a realidade se impõe com toda a força.
A pintura e a fotografia podem dar-nos impressão de serem representações perfeitas da realidade, mas a eles falta o movimento.
Nos séculos em que tentava-se criar imagens em movimento, o que se buscava era tornar visível ao homem o que não era, ao invés de capturar “o que vemos melhor com os nossos próprios olhos”, como disse Étienne-Jules Marey.
No final, o cinema se tornou uma arte única. Em sua ilusão, mostra a vida tal como é. É uma arte baseada na máquina e na química, e que não é mediada por um artista onipotente.
É verdade que é necessário forçar um pouco a barra para chegar a essa compreensão do cinema. Afinal, nós vemos em cor, quando grande maioria dos filmes foi filmado em branco e preto; nosso campo de visão é maior que a tela; e sabemos que não há real movimento na imagem cinematográfica. A imagem que vemos é sempre imóvel. Vinte quatro imagem estáticas por segundo.
Mas diz-se que pouco importa que se diga que o cinema reproduz ou não o real, não importa o cinema em si, importa o que dizem os filmes, o seu conteúdo. Um fuzil é sempre um fuzil, o que é significativo não é o fuzil, mas sim quem o maneja e contra quem é manejado.

Ten times or more

Um dos maiores fatores que popularizou e industrializou o cinema foi o fato de se poder tirar cópias. Uma quantidade ilimitada de espetadores podem comprar ingressos para o mesmo evento, que se passa em um ilimitado número de lugares.
Isso permitiu a expansão do mercado cinematográfico mundial. Este aumento do raio de distribuição era tão barato que, em países pouco industrializados, indústrias maiores não deixam chance para a indústria local, transformando-a em importadora.
Como mercadoria, o filme deve agradar o público com uma linguagem já esperada e pouco invetiva.
Na construção de uma linguagem, no entanto, há diferenças.

A saddening bore

Nos filmes políticos soviéticos dos anos ‘20, a montagem era a construção de uma nova realidade. Eisenstein via a estrutura da montagem similar à estrutura do pensamento.
No Expressionismo alemão, foi ignorado o considerado real, e mostrava cenas distantes da vida cotidiana.
Na Nouvelle Vague, o intuito era justamente ser diferente. No caso, utilizando fortemente a poética das cenas reais, que projetava o sentimento dos personagens.
Todos estes divergentes modos de pensar e fazer cinema concordam em se opor ao sistema cinematográfico monetário.
Por parte como fruto destes movimentos, o público demanda algo novo dos estúdios. Mas novidade é justamente o que investidores não querem. Novidades são riscos, são desastres esperando para acontecer.
Para manter o público, então, a indústria recorre a produtores independentes que tem manos a perder, e compram seus sucessos.

At the best selling show

Dando mais valor às mercadorias abstratas que estão vendendo, emergem as estrelas, levando milhares de pessoas internacionalmente para ver filmes de qualidade irrelevante.
Também foram usadas as classificações em gênero para rotular seu produto em uma ou duas palavras.
Surge, daí, uma necessidade de repetição. A mesma repetição que deixava o público insatisfeito agora dava confiança no que comprar.
As histórias mudam, mas seguem um mesmo boneco de entretenimento desenhado para entreter seu público-alvo. E que, principalmente, não saiam da linguagem com que o público está familiarizado.

Life on Mars?

Com o tempo, o cinema se tornava uma coisa de gente séria. Críticos, festivais, Cahiers du Cinema, etc.
E foi depois da Segunda Guerra que surgiram esparsos movimentos que chamamos de “Cinemas Novos”, ou “Novas Ondas”.
Dentre muitos, o Neorealismo Italiano, o Expressionismo Alemão, a Nouvelle Vague (Nova Onda Francesa), e o Cinema Novo (ou como os ingleses chamam, “Brazilian New Wave”). Novamente, todos divergentes, mas concordando que o cinema não deve ser uma indústria geradora de capital, mas um meio artístico de expressão de um artista e de uma cultura.


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