CENTRAL

não me sufoca
com seus verbos
os teus dedos frios
que se conjugam
na minha jugular
são frios, feitos
a partir do modo-tempo
em que permaneceu
aqui em meu peito
e a cada tempo
passado presente futuro
eu me sinto mais singular
resumido a estar na sua 
mensagem de despedida

adeus, pessoa
não mais seremos um
estávamos a um triz
você sabe
porque de mim
fez forma presa
presa assustada
dentro das tuas garras
de águia feroz

chega dos teus gritos
imperativos
surdos
estão ao seu falar
a minha mão
destra
que te escrevia floreios
em meio a tempestade
de areia
no centro do rio

a hora da partida se aproxima
o meu trem me espera
sob as asas da tua voz
o meu amor se esgota
como foi com
tuas marcas de gerúndio
indo, indo...

K.