CEVADA

abra uma cerveja
um latão de brahma
só pro deus da índia
abençoar esse rolê
que é dar a volta
pela tua nuca

senta na varanda comigo
na cadeira de praia vermelha
de praia grande
braço que carrego os
petiscos

o chinelo é de praxe
pra se andar na orla
do outro lado o telefone toca
e a saúde não compensa

o plano alimentar era só
de proteínas e carbono
hidrata-se mais uma dose
do malte que vendi
com a hélice
ventricular dos olhos-espuma
só pra salvar tua casa
batizada com água
de janeiro
fim do mês

tim-tim, um brinde
ao acaso do ocaso

levada
cê vai e nada
luzes azuis combinando
com a cintura-alta
do teu short jeans que
é tão pequeno quanto
teus passos em direção à porta

ressaca.

K.