FOGO

duas mãos se seguram
sustentando uma a outra
como ancoradouro
antes do choque
da pele quente
suada
entrelaçada
que revestem aquelas mãos
tão sensíveis ao toque
rastejando
mergulhando
nos cabelos enroladinhos
da minha cabeça
então disparo
em direção ao oceano
que se encontra
naquela boca
que me sorri e me beija
roçando-me seus lábios
como o vento
no campo de girassóis
com força
despenco
do sétimo andar
sobre os braços
que carregam aquelas mãos
fortes, firmes
pela minha lombar
e meu corpo atravessa
a rodovia
linha vermelha
de sangue-novo
na busca incessante
do cruzamento das nossas línguas
sinal verde
sob o meu trapézio
agora a mão aperta
meu pescoço
onde a fera fincaria
suas prezas
vampiro
sua respiração
ofegante
oferta a minha chama
alimento pra que queime
me deixo consumir
pareço um incêndio
lambendo
o sol.
K.
