O indizível prazer

Primal Prey
Sep 1, 2018 · 2 min read

Dos dias repletos de descobertas

  • Toque-se. Alivie-se!

A sugestão veio numa provocação, mas gentil e respeitosa.

Respondi de pronto, a voz suplicante:

  • Não sei fazer isso sozinha…

Ele propôs-se então a me conduzir. Massageie os grandes lábios, use um óleo para ajudar, pressione o clitóris de encontro ao osso pubiano. Foi levando, criando um anticlímax. Eu apenas obedecia. Mentira. Eu fazia o que tinha vontade, à vontade, sozinha em casa, me redescobrindo, me acariciando, me tocando pela primeira vez em muito tempo. Ao final, ele enunciou uma fantasia que poderia muito bem ser comum, caso houvesse sido partilhada antes: “Estou com você, de quatro, te comendo e vou escrever meu nome na sua boceta, você vai saber que tem um dono, sou eu”.

Surpresa?! Para mim também! Acordei para o prazer, daquela forma que a Marina descreveu, que o amor são fogos que se acedem sem nenhum artifício. Não se espante com a palavra. Pode substitui-la por enlevo, encantamento, desejo…qualquer outro sinônimo…pode pesquisar no dicionário. No entanto, o que vivi não está no dicionário. Não cabe em dicionários.

Entenda, por favor. A falta de violência na descrição do ato, o carinho na fala, a condução muito firme e muito gentil foram os fatores surpresa. Em cinco segundos eu apertava um travesseiro entre as pernas e, acho,gritava. De prazer, de puro prazer. Ao final, quando comemorava que não estava constrangida, veio nova surpresa: uma foto, minha, pós-orgasmo. Quis resistir — não por segurança, por vergonha mesmo. Saiu dura a foto, num péssimo sentido.

Mas ele não desistiu. Nem de mim nem das fotos. Após dois dias, consegui produzir algo melhor, mais leve, mais solto, mais em paz com meu corpo, com o prazer que agora tenho com ele. É a foto que você vê acima: um misto de excitação e calma, confiança e alegria. Não vejo a hora de dar paz ao instinto cálido e inquieto que se apossou de mim, à vontade de sorrir o tempo inteiro, que me desconcerta por fora e me desconcentra por dentro. Espero estar pronta quando chegar a hora: que seja leve e intenso, prazeroso e doloroso, íntimo e estranho. É como se estivéssemos em uma suspensão espaço-temporal. Apenas nós. Sei que passa. Pode passar até bem rápido, mas quero aproveitar enquanto existimos nesta outra dimensão incrível.

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