No que o amor se tornou?

Hoje eu mal tinha acordado, quando abri o twitter e me deparei com um tweet maravilhoso bem verdadeiro, o qual me identifiquei instantaneamente. Esse:

é isso aí mesmo

Tirando “top”, tô concordando com muita coisa.

E me levou, novamente, à reflexão do que o amor se tornou nos dias de hoje. Ou melhor, no que as pessoas transformaram o amor nos dias de hoje.

E aí, quem me conhece mais um pouco (mas nem tanto), pode dizer “mas o que você tá falando? A pessoa que vive longos e duradouros namoros não tem propriedade pra falar sobre a dificuldade de amar de hoje”. E eu admito, eu tive SORTE, muita sorte. De ao longo da minha vida encontrar pessoas maravilhosas que viviam o amor com tudo que tinham, que não sentiam medo, receio e desprezo de amar e de receber o meu amor — e olha, eu tenho um bocado para dar, daquelas que ama mesmo. E sente, e presenteia, e se declara o tempo inteiro e quer transformar cada momento numa explosão quentinha de carinho e afeto — os que não souberam lidar com isso, não se demoraram muito por aqui. Não tenho paciência para quem tem medo de amar.

E aí eu vou repetir o que falei um dia aqui em casa, numa reunião com meus amigos: “eu não sabia o quão difícil estava ser solteiro(a) até praticamente todos os meus amigos ficarem solteiros ao mesmo tempo”.

E a cada conversa que tenho com eles e que entramos na quesito “relacionamentos”, eu percebo como parece que todo mundo entre os 20 e 30 e poucos parece ter um problema MUITO GRANDE em se relacionar com outras pessoas.

A gente vive uma fase onde as pessoas lutam constantemente contra os impulsos de afeto e parecem numa eterna batalha para ver quem se importa menos. E quantas vezes eu não já ouvi meus amigos falarem “ah, não deu certo. A pessoa me disse que estava gostando de ficar comigo e gostava muito de mim, mas que tem medo de ir muito rápido e acabar estragando as coisas. Aí morgamos o rolé”.

Q?

As pessoas estão loucas?

Qual o sentido de você estar curtindo a outra pessoa mas preferir parar de curtir aquilo por medo que ESTRAGUE?

Ou essa é a nova desculpa do século 21 para “não estou interessado” e as pessoas não sabem mais ser sinceras ou é isso mesmo: as pessoas estão loucas.

E existe uma enorme necessidade de se deixar claro, quando você tá lá dando uns bejo de boca gostoso, apenas pensando em quanto tá legal aquele momento, ela parar e dizer “mas olha, não tô querendo um relacionamento agora, tá?”. Eu só conseguiria pensar em responder: “Foda-se relacionamento, vamos voltar pros bejo?”

E se você dá bom dia, se sentem na obrigatoriedade de só responder você às 15h da tarde, mesmo morrendo de vontade de falar antes.

E se você convida a pessoa para um rolé com seus amigos, a pessoa faz questão de dizer que pode até ir, mas isso não quer dizer que vai namorar com você.

E se você diz que tá gostando ou demonstra um carinho a mais, querem deixar bem claro que ela pode até sentir a mesma coisa, mas tá muito difícil na cabeça dela e ela prefere que você não alimente esperanças.

Ou essa é a nova desculpa do século 21 para “não estou interessado” e as pessoas não sabem mais ser sinceras ou é isso mesmo: as pessoas estão loucas.

E há o caso em que os dois até se gostam e demonstram afeto, mas sentem uma necessidade ridícula de dar uma satisfação a sociedade que é: mas a gente não namora porque o que a gente vive é muito melhor que isso.

Q?

Mas quem. no. mundo. impôs. valor. a. um. namoro? Um valor que não são as duas pessoas envolvidas nele que botam?

E aí vem a questão do “Amor livre”, que é o maior pleonasmo do qual eu tenho conhecimento. Já vivi amores não-livres. Mas ainda bem que amadureci o suficiente pra entender que o amor, só é amor na sua melhor forma, quando ele é assim: livrinho da silva. E leve. Conheço pessoas que viviam o tal do “amor livre” porque ficavam com quem queriam, mas a última coisa que havia entre elas era diálogo sereno e liberdade.

E não é porque você não sente qualquer vontade de estar com outra pessoa que o seu amor não vai ser livre.

Seu amor vai ser livre quando você souber que pode ser, fazer e falar o que quiser, desde que não fira a liberdade do outro. Porque se você é, faz e diz o que quer e fere o outro, seu amor não é livre, seu amor é egoísta, mesquinho e ignorante.

E o que vai definir a liberdade do amor são as pessoas envolvidas nele. Só. O resto do mundo que se foda, sinceramente.

A bola de neve em que se tornou a batalha do “quem se importa menos” está estragando o mundo. E as pessoas. Não me admira que esteja todo mundo desgraçado da cabeça.

E por essas coisas eu vivo tentando entender no que o amor se tornou, o que as pessoas fizeram com ele, e porque a necessidade gritante de defini-lo e podá-lo, mais do que vivê-lo.

E quando você se permitir vivê-lo, pode ver coisas maravilhosas acontecerem com os desgraçamentos da sua cabeça, por exemplo: sumirem.

Vão viver o amor, gente. Deixem as definições pro Wikipedia.