Sou nova aqui.
Meu nome é Priscila e eu sou nova.
Nova nessa história de Medium.
Nova na vida também, tenho apenas 23 anos.
Nova pra alguns, velha pra outros, mas decidi sair escrevendo esse texto aqui no Medium, como aqueles diários surrados que eu ainda guardo no meu guarda-roupa bagunçado, que com 23 anos a minha mãe precisa me lembrar vez ou outra de arrumar, — okay, to aqui dizendo que sou nova, mas com 23 anos ainda preciso da mamãezinha me falando pra arrumar o armário? Ah, eu ainda preciso da minha mãe sim pra me lembrar de coisas e sou grata por ter a sorte de escutar ela me dizendo isso — mas to começando com isso e quero contar algo bacana que aconteceu comigo nos últimos meses, então vamos continuar com o meu “Nova” e o que vem antes do que eu quero contar.
Aviso: se você não quer ler textão e saber que eu sou uma pessoa normal, que queria resolver problemas, melhor nem ler :)
Nova como profissional, embora trabalhe desde cedo, tenha 4 anos de experiência em agência de publicidade e mais ou menos 1 ano como User Experience Designer, sinto que sempre trabalhei. E tenho mania de dizer “vasta experiência” e vou tentar explicar o “reason why” aqui:

Estudei em um colégio católico, o Colégio Marista Nossa Senhora da Glória e fui bolsista nele da segunda série (hoje tem outro nome, talvez 3º ano) até o último ano (será que ainda se chama 3º ano do ensino médio?) e eu amava tudo aquilo. Tinha uma “gincana” que lá, chamávamos de Semana Champagnat (o fundador do colégio era Marcelino Champagnat e por isso, a semana levava o nome dele) e nela, tínhamos que criar uma equipe, nome, logo/mascote,grito de guerra, arrecadar alimentos, ter uma equipe que gerenciava cada tipo de competição (que ia de conhecimentos de matérias até esportes e show de talentos), e tudo isso, com base na Campanha da Fraternidade daquele ano, e em uma cor de camiseta que era determinada por sorteio (Campanha da Fraternidade é algo bacana que a Igreja católica desenvolve para ajudar as pessoas; não tenho nenhuma religião, mas fui “criada” em uma família e colégio católico, então eu admiro o trabalho que fazem para ajudar quem não está sentado como você e eu, em frente a uma tela, com internet, água, comida e uma cama confortável para descansar).

Esse era o momento ápice de cada ano. Começávamos a nos preparar por volta do mês de março e até a festa junina do colégio, em junho, passaríamos por dias de cão. Sim, desculpem, dias de cão. Tinha aquela parte do amor e carinho, da dedicação, de aprender as coisas, de ajudar o time… Mas tinham aquelas brigas feias de crianças e adolescentes que querem mandar uns mais que os outros e então vinha a parte da desunião.
Nunca tinha um líder que dava a “liga”. Não tínhamos um modelo. Nosso modelo, era ganhar. Tinha um prêmio bacana para os vencedores, que era ou ir para a chácara do colégio ou ir ao Hopi Hari (e era o máximo ir ao Hopi Hari uns 10 ou 12 anos atrás, sério, acredite em mim), e era isso que motivava a sala.
Faltava algo.
Faltava um modelo a ser seguido, algo que nos fizesse lembrar de tudo.
Tínhamos um regulamento, mas não era isso, porque todas as equipes tinham. Faltava algo a mais e eu não sabia o que era, mas tinha essa sensação.
E se eu sentia falta, eu queria criar. No geral, jogava minha criatividade e senso caótico de organização em cadernos e diários, que escrevia músicas e pensamentos.
Então, aos poucos, eu desenvolvi ao longo daqueles anos ajudando na organização quando me permitiam, e efetuando as atividades que acreditava que tinha potencial e estudado para desempenhar da melhor forma que eu conseguisse, a ideia de que criar coisas era legal.
Saí do colégio, fiquei confusa sobre qual carreira deveria seguir e acabei entrando no curso de Propaganda e Marketing, na UNIP — sim, UNIP pessoal, pode não ser USP, UNESP, PUC e outras que todos falam tão bem, mas era o que eu e minha família tínhamos condições de pagar. Fica perto de casa, tem bons professores, era colada no metrô e a ideia de ficar no cursinho pra ser médica ou viver de música, não estava mais me encantando — e foi lá que eu comecei a querer abrir empresas. Tudo quanto é tipo de empresa. De software, de comida, de esporte, de música, agência de publicidade, largar tudo e tentar ser Steave Jobs… Mas não abri nenhuma empresa. Só abri meu CNPJ como MEI, no final da graduação, e com ele sigo.
Tentei trabalhar no Marketing, porque eu AMAVA — e ainda amo e muito — a área de pesquisa que vi em 3 semestres ou mais da faculdade. Mas o Marketing não era pra mim, fui pra uma empresa bacana, a MABE, e mesmo estando em Planejamento de Produtos, sentia que aquilo ainda era muito dentro da caixa, sabe? Eu queria ajudar em muito mais na concepção das coisas.
Eu queria entender as coisas. E eu queria criar coisas.
Sempre tive essa coisa de querer entender as coisas, os porquês e quando tive aulas de Psicologia do consumidor, eu constantemente ficava irritada com o motivo das empresas serem tão tolas ao nos entregarem o que achavam necessário e não nos perguntarem o que queríamos.
Eu bati boca na Semana Champagnat, nos mini TCCs da faculdade, no TCC, em empregos em que a equipe não queria dar duro e entender o real motivo dos briefings, e eu era a pessoa cabeça dura com mil ideias na cabeça, em busca de algo que me desse um norte, em como juntar A+H+J+T+B tudo fora da ordem, para dar em algum lugar, para criar algo novo, para ajudar nesses trabalhos que chegavam pelo sistema da agência e eu não conseguia acreditar que estava lendo um briefing tão ruim, tão porco, e às vezes, tão sem sentido.
Eu era assim. Na verdade, talvez eu ainda seja e muito. Mas esse inconformismo com o modo como as pessoas e empresas estavam trabalhando, me levou a conhecer metodologias. Metodologias que se eu soubesse quando era mais nova, talvez nem usasse e dissesse que era coisa de gente velha, mas que hoje fazem o meu dia a dia e a minha relação com as pessoas ir muito melhor.
Entre as idas e vindas em agências e a última passagem que me gerou 2 anos e me fez conhecer um mentor incrível, que hoje tenho a honra de ser sua aprendiz e trabalhar com ele todos os dias, conheci o Design Thinking, o User Centered Design, o Human Centered Design, o User Experience Design…
Mas tudo isso, começou através de uma ideia na cabeça, rabiscada num papel, que apresentei para esse meu mentor. Parei esse cara, que aqui irei chamar de “mentor”, que era diretor de inovação e digital na agência que eu trabalhava e disse que sabia que ele trabalhava com Startups e que eu tinha uma ideia incrível, que ninguém tinha pensado ainda, que era formidável e que queria marcar uma reunião com ele. Ele aceitou — muito educado e paciente, me pergunto às vezes se ele não quer me mandar pra *Pra_aquele_lugar* — e então conversei com ele e disse onde iria ganhar dinheiro, quem era os clientes, disse que pesquisei com os amigos da faculdade e todos disseram que iam amar. Com muita paciência, ele me perguntou se eu sabia mexer no Photoshop ou algo do tipo — na época eu era Atendimento na agência — e eu, disse que não… Então ele me ensinou a mexer no Axure e como boa apaixonada por organização de trabalho e criar coisas, eu amei, e fiquei com a missão de mostrar pra ele na próxima semana, como estava meu “protótipo”. Chegou o dia e adivinhem? Uma porcaria. Não completa, mas não tinha pé nem cabeça! Sem contar que eu não sabia exatamente onde iria ganhar dinheiro com aquele negócio, pois a maior parte da minha ideia, era free.
Lembro que o “mentor” foi até a mesa dele — confesso que fiquei sem entender nada, achando que ele tinha perdido a paciência e que não iria mais me ajudar em nada — e voltou com um livro. A capa era estranha e carregava um nome em inglês “Business Model Generation”. Ele me disse que aquele livro, ia me ensinar tudo que eu precisava saber para apresentar a minha ideia para as pessoas, que tinha um tal de Business Model Canvas, que era fácil e que conforme eu fosse preenchendo, ele me ajudaria.

Eu fiquei vidrada naquele livro. Tudo fez sentido! Minha vontade de ajudar a organizar coisas, as mil empresas que eu queria criar, os mil amigos que eu queria sempre ajudar na faculdade, os briefings ruins que eu queria arrumar… Tudo mudou! Descobri o Design Thinking e o User Experience Design, e os nomes que citei aqui anteriormente e tudo isso foi me correndo por dentro. Meses depois, virei Planejamento e podia colocar em prática algumas dessas metodologias, mas ainda era bem complicado, porque nem sempre os grandes clientes querem mudar os “velhos” métodos…
Comecei então a ajudar esse “mentor” em projetos que ele pegava, para ajudar as pessoas a pensarem, e depois foram amigos, freelas aqui e acolá e então surgiu a oportunidade de trabalhar apenas ajudando as pessoas a construírem suas ideias, em uma empresa que fazia apenas isso.
O bacana, é que eu ainda sou nova.
E tenho muito pra aprender e sei disso. Mas se eu conseguir ajudar as pessoas com as ideias que elas tem e transformar tudo isso em algo significativo para essas pessoas, eu acredito que terei alcançado minha meta atual como profissional.
Obrigada pela leitura e até um próximo texto!