CAPS: Um modelo humanizado de cuidar da saúde mental

Primeira Pauta
Oct 18, 2016 · 3 min read

Bem diferente dos antigos manicômios cercados de altos muros, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) surgiram como espaço que busca o tratamento interdisciplinar de pacientes com transtornos mentais graves, como a depressão, bipolaridade e dependência química. Os funcionários não utilizam uniformes ou jalecos, o ambiente é tomado pelo colorido das peças produzidas nas oficinas de arte. Nesse espaço, a conversa e a troca de saberes fazem parte do dia a dia.

Criado como um serviço comunitário, o CAPS substitui a internação psiquiátrica e é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Vinculado à rede hospitalar e ao Centro Especializado de Assistência Social (CREAS), o tratamento é indicado por clínico geral ou pela busca espontânea. O paciente passa a frequentar o local, após as análises individuais feitas pelos especialistas.

Atualmente, Santa Catarina conta com 99 centros psicossociais, onde atuam psicólogos, psiquiatras, terapeutas e farmacêuticos. Em Joinville, a rede voltada à saúde mental é composta por diversos níveis: PAPS, CAPSi Cuca Legal, CAPS AD, CAPS 2 Nossa Casa e CAPS 3 Dê-Lírios.

Com intuito de escutar e acolher, o Pronto Acolhimento Psicossocial (PAPS) é um dos primeiros estágios para aqueles que buscam tratamento. O PAPS funciona seis horas por dia.

O CAPS Infanto-Juvenil Cuca Legal oferece cuidados para crianças e adolescentes entre 10 a 17 anos que apresentam transtornos graves e uso de substâncias psicoativas. O atendimento é semanal, com atividades de reinserção social. Na mesma linha de trabalho, o CAPS Álcool e Drogas realiza atividades recreativas, educativas e profissionalizantes para várias idades.

Atendendo adultos que apresentam isolamento social, perda de autonomia e alucinações, o CAPS 2 Nossa Casa faz atendimentos semanais e traz aos pacientes oficinas de artesanato, atendimento psiquiátrico e grupos de medicação.

O CAPS 3 Dê-Lírios atua há 8 anos. A unidade fica aberta 24 horas por dia e atende pessoas de 18 até 72 anos que apresentam esquizofrenia, depressão e bipolaridade. Como substituição ao internamento, os pacientes frequentam a casa de acordo com sua necessidade. Há pessoas que passam um período por dia, outras ficam o dia inteiro, e algumas aparecem semanalmente para as consultas.

O centro oferece grupos de apoio terapêutico e psicoeducacional aos familiares, além do acompanhamento na internação quando o paciente está em crise. Para Ana Lúcia Alves Urbanski, coordenadora da unidade, o vínculo da família com os pacientes torna-se imprescindível ao tratamento. “A família tem um papel crucial na melhora do paciente, pois o motiva a continuar na luta”, ressalta.

Contando com 280 pacientes, o CAPS 3 dispõe de atividades que envolvem desde teatro e pinturas àquelas que motivam a falar do problema. A coordenadora destaca que uma das soluções é desabafar. “Quando entramos em um CAPS, não imaginamos quais histórias vamos presenciar”, comenta.

“Isso muda a nossa forma de ser, pois vemos a dimensão da vida de outro jeito. O CAPS resgata as pessoas, ele é a segunda chance”.



Repórter: Thaline Cardoso | Fotógrafa: Luana Kammer

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