100 ANOS DE SAMBA

No dia 6 de Dezembro de 2016 o Brasil celebra o centenário do Samba como uma manifestação cultural. O samba que durante muito tempo representou um estilo musical brasileiro ou como uma tradição popular ou como um estilo específico que reuni diversos estilos. É claro que o samba é muito mais antigo, cem anos é uma forma de representar o registro da composição “Pelo Telefone” do músico Ernesto Joaquim Maria dos Santos, o Donga (1889–1974), no Departamento de Direitos Autores da Biblioteca Nacional. Antes de “Pelo Telefone” havia registros gravados de canções com a denominação de “samba”, vocábulo de origem ioruba.

O samba é uma forma de manifestação cultural que surgiu no Rio de Janeiro por iniciativa de negros que vieram da Bahia. O seu estilo diferente próximo da periferia é ligado a religião afro brasileira, e até por isso foi muito discriminada por um bom tempo. A figura histórica de Tia Ciata (década 30), é um exemplo disso, negra baiana que reunia em sua residência as manifestações do samba, do choro e do candomblé, constituindo um verdadeiro centro de convergência de manifestações culturais. Na casa de Tia Ciata existia três ambientes, no primeiro o chorinho, que deveria ser exibido por todos e também para as autoridades como uma forma de “civilidade”, o segundo mais “subversivo” o samba, ligado às classes populares, e no último bem escondido das autoridades, o terreiro de candomblé visto na época como crime.

A origem do Samba em termos antropológicos vem das senzalas, das casas-grandes, das vilas do Recôncavo Baiano, dos primeiros quilombos e redutos de escravos africanos em São Paulo e Pernambuco, foi com o mestiço carioca Domingos Caldas Barbosa, o Lereno (1739–1800), que divulgou os dois gêneros principais de canção brasileira: a modinha de Minas Gerais e o lundu da Bahia. Já com Chiquinha Gonzaga (1847–1935) o samba ganhou variações com o piano, quando virou sucesso; “Pelo Telefone” o samba era também chamado de tango de lundu.

Ao falar de samba é destacar formas e estilos diferentes como uma produção de muitas gerações, o chamado Samba de Raiz, que veio do samba da cidade e da revista, de autoria de Sinhô. A partir dos sambas de Sinhô e seguidores, iniciou-se o sistema de estrelas que impulsionou as bases econômicas para a Era do Radio, entre 1936 e 1964.

Com Noel Rosa (1910–1937), do bairro de Vila Isabel, o samba passou a expressar poesia íntima. Na esteira dele vieram Luís Barbosa e Heitor Catumbi, que criaram o chamado samba de breque. Do ponto de vista internacional o samba será conhecido por uma portuguesa, Carmen Miranda (1909–1955). O samba é divulgado nos EUA, na década de 1940 estereotipado com Walt Disney no seu personagem Zé Carioca falando da figura do malandro do morro que tenta tirar vantagem em tudo sem fazer força.

É muito difícil falar do samba sem deixar de mencionar grandes artistas, é claro que poderia mencionar Pixinguinha, Ismael Silva ou Ary Barroso entre muitos outros que falavam do samba e contribuíram com seus estilos. O samba é uma realidade bela, querida e maravilhosa que surgiu do mundo da periferia e ganhou estilos e até status social.

Os estilos do samba que surgiram ao longo da história estão interligados, falar do AFRO-SAMBA iniciada em 1963, ou a AMAXIXADO, o SAMBA BANDIDOS, pejorativa, a expressão SAMBANDIDO foi criada para rotular o estilo de Bezerra da Silva (1927–2005), que cantava com humor e sem lirismo o cotidiano das favelas, ou o Samba de BREQUE, o Samba CHORO com estrutura melódica, FUNDO DE QUINTAL conhecidas como rodas de partido alto que costumavam acontecer em quintais, O FUNK E SOUL a fusão entre o samba e a musica negre pop americano começou nos anos 1960, SAMBA DE JOIA criada para ironizar os sambas românticos e com pouca percussão dos anos 1970, entre os nomes de destaque Benito de Paula, SAMBA LENÇO que é uma das primeiras formas de samba de São Paulo, O SAMBA DE PAGODE que era sinônimo de festa em que havia música e comida ou sinônimo de samba, nos anos 1980, a indústria fonográfica transformou a palavra em rótulo para classificar a geração de Zeca Pagodinho, Jorge Aragão entre outros, O SAMBA UNIVERSITÁRIO que foi feito por jovens de classe média como Chico Buarque nas décadas de 1950 e 1960.

O Samba faz cem anos, e provavelmente a mídia não exaltará com tanto empenho como outros estilos. A sua origem negra ligada a religião afro-brasileira incomoda, em um país que gostaria muito de ser estrangeiro. O brasileiro não gosta do seu passado, incomoda a nossa origem que vem de grupos étnicos e sociais excluídos, um país que prefere exaltar a cultura globalizada ou norte americana do que o seu próprio estilo. A globalização não pode ser desculpa do nosso racismo ou da nossa falta de interesses cultural. O samba que veio do morro, como diz o Samba enredo do Salgueiro de 2016: “É que eu sou malandro, batuqueiro Cria lá do morro do Salgueiro Se não acredita, bate de frente pra ver O couro vai comer!”. O Samba veio da cultura popular é produto da periferia dos guetos de uma tradição mestiça e, portanto fruto de uma sociedade brasileira bela e grande. O malando é exaltado, a dona de casa a periferia são abordados a vida é citada como poesia ou simplesmente como samba.

viver o Samba
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