Anistia Internacional lança campanha “Jovem Negro Vivo” no Complexo da Maré

Por Priscila Rodrigues

Você se importa? É com esse questionamento que a Anistia Internacional propõe para romper com a indiferença de parte da população brasileira para o alto índice de homicídios de jovens negros no Brasil. No último sábado (09/05), a Organização deu mais um passo para alcançar esse objetivo. Em parceria com o Observatório de Favelas e a Rede de Desenvolvimento da Maré, a Anistia lançou a campanha “Jovem Negro Vivo” no Complexo de favelas da Maré.

O dia não poderia ser melhor. Foi o primeiro fim de semana após implantação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Ainda não se sabia ao certo se sábado seria dia de feira. Mas foi! Entre frutas, roupas, calçados, bebidas e eletrônicos, na tradicional Feira da Teixeira, os voluntários da Anistia coletaram assinatura dos moradores e comerciantes no manifesto “Eu quero ver os jovens vivos!”. Durante todo o dia foram coletadas 470 assinaturas.

A movimentada feira parou por alguns instantes para assistir as duas intervenções organizadas para a campanha. Na primeira, os integrantes do Núcleo de Formação Escola Livre de Dança da Maré, trajando roupas manchadas de tinta vermelha — simulando sangue — gritavam “Jovem Negro Vivo”. O apelo ecoou nas caixas de som espalhadas ao longo da Feira da Teixeira. Para finalizar, a Rua C Cia de Dança, formada por moradores da Maré, colocou todo mundo para balançar ao som do passinho.

Núcleo de Formação Escola Livre de Dança em cena — Foto: Gabriel Irene

A conscientização não parou aí. Após as apresentações, voluntários, ativistas, moradores e visitantes se encaminharam para o Centro de Artes da Maré (CAM) para a roda de conversas com representantes da sociedade civil que têm em suas práticas diárias o enfrentamento da violência. Na mesa estavam Valnei Succo e Mayara Donaria (ESPOCC), Gilmara Cunha (Conexão G), Dudu do Morro Agudo (Enraizados), Binho Cultura (Flizo), Giordana Moreira (Roque Pense) e David Amen (Raízes em Movimento). Mediada por Bruno Duarte, garoto propaganda da campanha, o bate-papo, além de abordar a questão do assassinato da juventude negra, tratou de temas como sexismo, transfobia, homofobia, entre outros.

Roda de conversa no Centro de Artes da Maré — Foto: Washington Santana

“Jovem Negro Vivo”

O Brasil é o país onde mais se mata no mundo, superando muitos países em situação de guerra. Em 2012, 56.000 pessoas foram assassinadas. Destas, 30.000 são jovens entre 15 a 29 anos e, desse total, 77% são negros. A maioria dos homicídios é praticado por armas de fogo, e menos de 8% dos casos chegam a ser julgados. Mais absurdo que estes números, só a indiferença. Você se importa?

Em placas, os dados de assassinato da juventude negra no país — Foto: Washington Santana

Confira o vídeo da Anistia Internacional da campanha Jovem Negro Vivo.

https://youtu.be/lM2To-4c51M


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