Não consegui pensar num título…

Ela se olha no espelho e passa mais rimel nos olhos. Um pouco de batom "cor de boca", porque ainda é cedo, e o medo de parecer um palhaço pintado é grande.
Sai de casa, entra no carro e liga o som. Pronto...É o que basta para que as lágrimas escorram e borrem todo aquele rimel .Sim...No final das contas ela se transformou numa palhaça de olheiras e manchas pretas no rosto. A música que toca é aquela que a faz lembrar de tantas coisas... Mas mesmo assim, deixa tocar e se entrega ao pranto. Ainda dói. A dor de lembrar da inocência perdida tão cedo...Da violência travestida de carinho, das palavras doces, tão doces que davam vontade de vomitar. Das mãos enormes passeando pelo seu corpo ainda mal formado. Ainda dói. Agora adulta, ela se recorda da época da adolescência... Era gordinha, seus cabelos louros pareciam palha, seus olhos azuis só refletiam tristeza. E as risadas? Ela era tímida, tinha medo de gente e nem sempre seus colegas compreendiam esse seu jeito estranho.
Mas ela cresceu. Conseguiu amar, apesar de tudo. Se entregou a alguns homens e poucas vezes se lembrou da violência que sofreu. Mas às vezes, quando toca aquela música, quando ela sente aquele cheiro, tudo volta. E dói. Mas passa... 
Ela tem amigos. Amigos que a amam. Ela pouco se ama...Ainda se acha feia, sem graça. Mas aos poucos vai se enxergando. E carrega no peito muito amor e carinho pra distribuir!!! É tanto, que precisa se segurar pra não exagerar na dose. Como se quisesse compensar tudo aquilo que lhe faltou.
 Ela vai vivendo...e sobrevivendo. E chorando quando ouve aquela música. E retocando a maquiagem.
Liga o carro e vai dançar. Porque enquanto dança, ela se sente linda!

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