
Sobre a dádiva da dor…
Ontem, com a panturrilha pegando fogo, ouço novamente a professora dizer:
"Você PRECISA sentir dor. Se não doer é porque não tá certo.
Força...Você aguenta!"
E às 9 horas da noite eu forço...
Abro mais, desço mais, suo mais.
E aí fico pensando...
Tenho 46 anos. Tô chegando aos 50!
Senti algumas dores na vida...e em alguns momentos pensei que não poderia suportar.
Mas as superei. Se foram.
E outras vieram ...e outras vão vir.
Sinto minhas dores e as de um mundo de gente. Porque sou assim.
É como diz um amigo: "a gente é muito idiota"
Voltando às reflexões...
Tenho mais sonhos hoje do que tinha aos 20, 30. E teimo em correr atrás deles.
Sinceramente, acredito que não vou realizar nem metade. Tenho quase 50.
Quando tinha todo o tempo do mundo, não aproveitei. Me acomodei...Tinha medo da dor...Um medo danado!
Agora tenho mais coragem. Mas não tenho o tempo.
Eu abro, eu forço, eu suo, eu enfrento, eu aguento.
E mesmo não tendo tempo, vou continuar.
Porque o que importa agora é o "correr atrás".
É no balé da vida tenho encontrado professores que gritam nos meus ouvidos:
"Força mais. Vai doer mas a dor ensina. Abre mais, você aguenta".
E sigo dançando. Nem que seja por mais cinco minutos.
