Uma reflexão sobre concorrência, cópias, referências e marcas (ou pessoas) que querem ser algo que não são

A Moda Imita A Vida de André Carvalhal

Vou começar contando que eu não sou exatamente especialista no assunto que vou abordar, pelo menos não de uma maneira padrão ou acadêmica, todo meu conhecimento na área vem da experiência em dois anos e meio empreendendo com a Maria Tangerina, muita leitura, pesquisa e muitas horas de conversa com amigos de diversas áreas que também são empreendedores.

Acredito que por se tratar de uma nova visão sobre um velho ofício ainda estamos todos aprendendo aos poucos sobre como lidar com questões antigas impostas pelo sistema, como a concorrência. Como trabalhar um novo modelo de empreendedorismo, onde falamos tanto de colaboração, comércio justo, amor e unicórnios e lidar com a concorrência e a ideia de que uma marca que faz o mesmo produto é sua “rival”?

Eu entendo que como cada pessoa é única cada marca também é, na verdade eu vejo a marca como uma pessoa, com a sua própria personalidade e seu caminho a seguir. Também entendo que existe público pra todo mundo, não é porque duas marcas fazem o mesmo produto que uma precisa se dar mal pra outra se dar bem, concorrência é saudável e existe desde que o mundo é mundo. Todo mundo pode vender, ser feliz, ter seu público e até trocar experiência sobre isso. O problema é quando alguém vê que o jeito que você trabalha está dando muito certo e resolve além de copiar o seu produto tentar copiar isso, a sua essência, seu posicionamento. Isso é cópia e isso não é legal.

”Se você quer ter uma posição forte no mercado, não pode ignorar a posição dos seus concorrentes. É muito importante saber quem são eles (…) mas, ao contrário do que muitas pessoas pensam, é preciso ter essa noção para poder correr em direção oposta (e não seguir atrás). 
Para os concorrentes, lutar pelo primeiro lugar é tarefa bastante difícil. Não estou me referindo ao faturamento, mas ao espaço (posicionamento) que a marca ocupa, que pode ter a ver com o que ela é ou com o que ela tenha construído. 
Às vezes a segunda marca pode até conseguir, mas provavelmente por muito tempo ela ficará marcada por essa característica wanna be” 
André Carvalhal em A Moda Imita A Vida

Traduzindo, ser a cópia não é legal. A parte mais interessante de ter uma marca em um modelo diferente de negócio é exatamente ir descobrindo o seu caminho, descobrir quem a marca é e crescer em cima disso. Não tem nada mais prazeroso do que ver que toda a essência que você colocou nessa marca, (que muitas vezes se confunde com quem você é) está dando frutos, funcionando, atraindo novos públicos, inspirando novos clientes a consumir de maneira consciente e novas marcas a entrarem nesse novo conceito de empreender com a alma e com amor (por mais brega que isso possa parecer).

Não seja a cópia, referência é legal, mas mais legal ainda é ser você mesmo (pessoa ou marca), se descubra, se questione e busque o seu caminho. Existe espaço pra todo mundo crescer de maneira justa, respeitando o espaço do outro, somando, trocando ideias e conhecimento.

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