(CONS) (TRANS)(INS)PIRE

Lá vem aquele maldito zumbido no ouvido outra vez. Quando ele chega, é muito curioso, não há lugar pra mais nada. Parece microfonia interminável fruto de som feito por gente ruim em dia de show. Já fui ao médico e ele sempre me devolve pra casa dizendo: querida, se isso estava te preocupando, pode ir beber seu chopp tranquila. 
Beber tranquila. Onde já se viu? Que médico esquisito, nunca vi. Mas é aquele ditado, né? “De médico e louco…”. Pode dizer o que quiser. Esquisito.Achei ele bem esquisito. E, apesar de não me conformar com o diagnóstico, não me resta outra saída a não ser ir-me embora.
Abro o livro e, como que em um palimpsesto, ele ali defronte agora não são mais as palavras de Rosélie. Ou de Imani. Aquelas páginas me revelam uma verdade da qual me esquivo, ignoro, desconsidero. É o mundo, minha filha. É o mundo que você não quer mais ouvir. Muito barulho. É o tanto de coisa que você diz pra si mesma. Você fala demais!
Silencie — mas não precisa mais ouvir ninguém não. 
Viro a página. Imani volta a me contar as barbaridades dos tempos da Moçambique de Gungunhane.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.