EU PASSARINHO

17h15, hora do rush escolar. Estava eu, andando apressada, sem olhar pro lado. De repente, sou surpreendida por uma senhora que para, com sua neta, no meio da calçada, contemplativa, e arremata: olha, filha. O que é aquilo ali? Um canarinho?
Tento desviar da família, procurando evitar o choque, me esmago pelo canto da calçada pra ultrapassá -la e xingo mentalmente a senhorinha pelo transtorno causado; foi a raiva mais passageira que já senti.
Em questão de segundos, reparo que o tal pássaro estava bem do meu lado. E eu, com meu passo apressado, o espantei. 
Fiquei pensando que bosta de ser humano sou eu, atropelando as falas, as contemplações, ultrapassando, com a minha pressa quase irracional (embora corriqueira) todo e qualquer vestígio de poesia do dia a dia.
Me perdoe, canarinho. Me perdoe, senhorinha. Prometo não atropelar mais nada nem ninguém.

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