
O café está queimando na cafeteira, eu posso sentir o cheiro. Faz duas horas que está lá, passado. Porque faz duas que você chegou e não consegui mais me concentrar em nada - além do som desta voz doce, chega em mim musicada. Café, campainha, toca o telefone. Nada. Ocorre que só tenho olhos pro movimento engraçado que teu cabelo faz quando te vira subitamente, no ímpeto de defender as tuas teses. Cabelos dançantes, eles têm o melhor coreógrafo. A verdade é que cada parte tua me interessa profundamente. Tem uma coisa de mãos também e de olhos que eu já decorei. E mesmo quando estamos sem assunto, olha, o café queimou.
A cada cinco minutos que temos juntos quero viver mais meia hora contigo, se possível. O tempo age vilão. Em progressão geométrica. Parece que faz só cinco minutos que você chegou e eu não sei lidar com despedidas. Todas as outras vezes ele passa tão p a u s a d a m e n t e. E se arrasta sobre os ponteiros do relógio escravizados pela tediosa vida cotidiana. Todos os outros dias, cada uma hora vale uma hora suada e sentida. Expurgada. Do teu lado, não.
Não sei se isso quer dizer amor ou se vai além, porque tem uma letra a mais. Do teu nome.