Não deixe pra amanhã quem você pode amar hoje. Ou: (Mais) Uma Carta Para Meu Pai

Priscila Xavier
Aug 28, 2017 · 4 min read

Oi, pai. Tudo bem? Como você tá? Espero que melhor. Acolhido. Com respostas. Sentindo-se bem.

Hoje fez um ano do teu desencarne. Lembro como se fosse ontem a ligação umas 6 da manhã num sábado lindão de sol. Pena que foi uma notícia tão triste. Meu dia acabou. Perdeu a graça e o brilho. Não foi triste somente pra mim, mas pra todo mundo que te conhecia e convivia contigo (e foi muita gente).

Sempre releio a primeira “carta” que escrevi pra você. Sempre choro. Sempre reflito. E sempre tenho um novo olhar sobre o que senti e escrevi.

Em um ano muita coisa mudou — especialmente dentro de mim. E já tô chorando de novo. Ô menina chorona, essa tua, viu? Sei não!

Eu podia ter te dito tudo o que tô escrevendo aqui numa prece. Sei que ela chega até você. Aliás, todas as preces, de todas as pessoas, chegam. Mas ano passado, depois de escrever a Carta aqui no facebook, muita gente falou comigo. Falou que sentia o mesmo, que também passava pela confusão que eu tava, que também queria ter perguntado ao pai coisas corriqueiras, coisas importantes… coisas que nunca foram perguntadas.

Então eu quis escrever aqui de novo pra que as pessoas reflitam mais uma vez (ou não, se não quiserem, tá tudo bem). Quero te falar sobre algumas mudanças desse um ano pra cá (as que eu lembrar porque minha memória não é das melhores.

Ainda não tenho resposta pra algumas perguntas e a principal delas é se você foi acolhido pelos amigos do plano espiritual. Você está aberto a ouvi-los? A reaprender sobre nossa essência? Ou anda perdido, vagando sei lá por onde? Nas minhas preces (que não são diárias porque eu sou falha) sempre peço pra que te iluminem. E que você esteja bem.

Meu lado egoísta ainda espera e tem esperança de receber uma carta sua! Meu Deus, como seria lindo esse momento! Tantos desejam isso e não sou diferente. Quem sabe Fátima ou algum(a) outro(a) benfeitor(a) não nos permite isso? A esperança é a última que morre, dizem. Não custa pedir, né?

Se (ou quando) puder me conta como você tá. Eu quero muito saber.

Uma das coisas que ficaram mais claras pra mim é sobre o que você sentia pelos seus filhos. Ficou claro como água! E o que me ajudou foi a Constelação Familiar. Tu já sabe, né? Tu tava lá pertinho? Se não tava pelo menos tu sentiu nossa cura e a energia daqueles momentos, tenho certeza.

Foi lindo e libertador ter — mais de uma vez — a certeza do teu amor, do teu carinho, do teu zelo — tudo à tua maneira.

A última constelação foi maravilhosa. Quanta cura, hein?! Ainda sinto tristeza em alguns momentos por não te ter fisicamente perto, mas aí mudo o foco e faço uma prece. Fico com as saudades mas não quero que você fique estagnado no processo evolutivo. Nem que eu fique também. Entendi que você precisou ir e que eu devo fazer o melhor da maneira que me é apresentada agora.

Sei que a sua energia me dá forças, me dá poder, me sustenta e faz com que eu realize tantos projetos. Ainda falta um gás maior em um deles, mas o processo já começou e nós estaremos juntos em mais essa!

Gratidão por você, pai. Por tudo o que você me deu. As coisas boas e as nem tão boas assim. Eu te amo. E honro o seu lugar na minha vida. Aos poucos vou descobrindo e traçando o meu.

Já sei o que de você existe em mim. Já sei que nossa relação está “curada”. Hoje muito mais do que um ano atrás. Ainda temos muito a crescer e evoluir. Vou fazendo minha parte aqui e desejo que você esteja fazendo daí também.

Um dia eu consigo te ouvir como você me ouve ou sente agora.

Talvez esse texto tenha ficado confuso, mas tudo bem. Os sentimentos ficam assim de vez em quando, né? Especialmente num dia em que faz um ano que um ser amado desencarnou e você, mera mortal, tá preocupada com as trocentas coisas terrenas pra lidar. Quero ter mais tempo. Tempo pra sentir. Eu vou melhorar nisso também. Me ajuda?

Gratidão, pai. De novo. Por você, pelas nossas vidas, pelos encontros e desencontros, pelos sims e nãos, pelas presenças e ausências, pelas perguntas sem respostas (ainda), pelos inícios e fins, pelas curas que vem acontecendo, pelo caminho que temos juntos.

Eu amo você. Esteja bem.

Pra geral que tá lendo acho que a mensagem toda é a que tá lá em cima mesmo: NÃO DEIXE PRA AMANHÃ QUEM VOCÊ PODE AMAR HOJE. Ama. Ama muito. Ama logo. Só ama! No fim das contas é só isso que importa.

E gratidão também a todas as pessoas que me dão suporte todos os dias, que ajudam nesse processo de cura, de autoconhecimento e que — direta ou indiretamente — fazem com que eu seja hoje um pouco melhor que ontem.

Quem quiser fazer uma prece pelo meu pai, agradeço de todo o ❤.

(Poderia ter escrito mais, especialmente sobre como Agosto é um mês intenso. Sempre foi, mas agora tem um peso maior. Teu aniversário, dia dos pais e desencarne. Ê laiá… Mas fica pra um outro momento…)

)

    Priscila Xavier

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