Há muito tempo eu não falo e nem escrevo sobre o amor. Não acho que este seja um assunto que esteja sob a minha dominância, nunca fui uma pessoa romântica e me apaixonei poucas vezes na vida e nem ouso dizer que amei profundamente, visceralmente, irreversivelmente alguém.

Mas hoje me peguei pensando nos tipos de relações que estamos construindo e em como elas são rápidas, superficiais e vazias, embora sejam amplas. Ou seja, a gente vive uma espécie de rodízio de relacionamentos. Acho que quase ninguém começa a se relacionar com alguém pensando num futuro casamento, numa casinha bonitinha e café da manhã na cama. Em meio a esses pensamentos que me cercearam durante todo este dia, concluí que o amor existe e resiste nos detalhes, vou explicar:

A convivência quase sempre vira rotina, ficamos automatizados com a presença de alguém, porque ela está ali, porque muito improvável que vá embora, porque sente por você exatamente o mesmo que você sente por ela e tudo está bem, nada aparenta mudar. Mas não acredito que isso seja de fato o amor. Acredito que amor é aquela mensagem de “bom dia”, “dorme bem”, “sonha bonito”, “como foi o seu dia?”, “me avisa quando chegar”, “estou com saudades”. O amor está numa ligação inesperada, numa surpresa simples, na exclusão do egoísmo, do pensamento no “eu” e no espaço pro pensamento em outrem. O amor é o mais puro cuidado com a outra pessoa. É a prioridade que você dá pra alguém e em como você permite que essa pessoa te arrebente como uma onda forte.

Amar é foda, requer um empenho constante no afeto, na empatia e no conquistar-todos-os-dias-a-mesma-pessoa. Deve ser por isso que muita gente desiste.

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